Encontrei paz em meu espírito, mas nunca encontrarei no sentir.
O sentir deveras é descrer.
Por entre mim, os deuses fazem-me rir
Por quererem que eu veja
Aquilo que eu não consigo ver...
A quele homem está, logo pela manhã, mergulhado na sua comum mortalidade quotidiana, passando os dias vazio e imóvel, como se nem mesmo o comboio, com o som estridente a ecoar nos tímpanos, fosse capaz de mover-lhe a alma. Nada o inquieta. Nada perturba o seu pensamento ou rompe os seus ideais. Assim, a sua condição torna-se numa pura expressão de espírito, serena e intocável. Álvaro Machado - 24/02/2025
Onde tudo é torpe, vem apenas o apenas. Nas ruas soltam-se cânticos quando a brisa os invade, os ultrapassa e os confunde na percepção. Talvez — de certo, incerto demais — roubem-lhes a emoção, para nada mais restar dentro do coração. O que sobra? Sobra esta azáfama gigante ao nosso redor - só nos ofusca, só nos distancia, só nos enraivece desse viver o mundo com (mais) humanismo. Álvaro Machado - 18/09/2025 - 22h20
P ortugal arrasta-se há décadas num problema sistémico de corrupção e de crimes que deviam envergonhar qualquer democracia. São crimes que não ficam confinados a gabinetes ou tribunais: afetam-nos a todos, todos os dias, e a pergunta permanece insolúvel — até quando vamos tolerar sem agir? José Sócrates, ex-primeiro-ministro, é a face mais visível desta realidade sombria. Acusado de mais de trinta crimes, que vão de corrupção ativa e passiva a branqueamento de capitais e peculato, a sua gestão marcou o país com decisões danosas, calibradas para o falhanço e para o colapso de instâncias públicas e privadas. E, enquanto isso, o país assistia, quase impassível, à degradação do seu próprio futuro. Nesta rede, Ricardo Salgado assume o papel de arquiteto da teia. A falência do Grupo Espírito Santo, incluindo o BES, e a influência sobre a PT Comunicações moldaram escolhas de liderança, como a nomeação de Henrique Granadeiro, selecionado pelo próprio dono do BES para gerir a PT. Um país ...
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