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todos no poema

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Eu sou de todos, sem mais ninguém.  Sou do universo à noite, rodeado de dúvidas, Sou do dia na manhã, com a brisa a escapar-me das mãos, vai e nunca mais vem, Sou das estrelas cadentes que tiram vidas...  Sou da réstia de esperança que esta lá fora, memórias que sobressaidas Tornam este quarto tenebroso e além vós, Além paisagens, além snobes que se achem,  Além dizeres e não dizeres, contos e não contos: Afinal sou eu não sou?  Sou eu de permeio, sou eu lá trás, aquele senhor até o caminho apontou,  Sou eu ali em cima do balcão, ébrio, a regozijar-me por ser um artista falhado,  Por quem ninguém se tem importado?  É não é? Sou de quem é ou de quem não é? Sou-me pelo menos para mim próprio?  Sou o almirante no meio do mar a seguir um caminho que já havia sido navegado?  A bússola que me deram é que o traçou E eu segui-o; o almirante nunca contestou Nem para onde ir nem com quem ir...  Sim, eu sou estes senhores todos. Sou um espelho de v...

Escrito à superfície

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Encontrei paz em meu espírito, mas nunca encontrarei no sentir. O sentir deveras é descrer. Por entre mim, os deuses fazem-me rir Por quererem que eu veja Aquilo que eu não consigo ver... Álvaro Machado - 15h48 - 17-12-2014

o dia

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um dia, queria estar lá em cima. subir degrau a degrau e chegar por fim a vós. queria estender a mão para entenderem que todo o esforço não foi em vão. um dia queria cuidar de todos, brilhar intensamente por todos os lugares... ser alento para quem estivesse perdido, ser esperança para quem não quisesse crer, ser a única luz no meio de tanta escuridão... eu parti. há muito tempo. e a minha alma por aí se propagou desse tempo para a eternidade. Álvaro Machado - 23:06 - 11-10-2014

Paz.

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Não sei. Começo por escrever que não sei Às coisas do universo o que não sei saber. Mantenho-me então no desconhecido, Mantenho-me distante, só, para mim… Talvez numa lua e num silêncio cerrado Possa ouvir as outras almas Que já do outro lado, depois da vida, Têm paz. A minha vela. Um dia há-de ser feliz. Ao amanhecer virá busca-la um barco… Um barco pequeno para o outro lado - Esse lado que sonho, que existe e eu sei que existe. E eu disto nada sei. Álvaro Machado – 00:24 – 03-01-2013

melodia.

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da salvação dos tempos que urge disperso no céu não sei se são lamentos ou o destino que é meu... mas circunda em minha volta aquele daquele do outro astro-rei uma ponta que se vê solta e que eu não sei se a amei... doira e estende-se entre o café do entardecer... volto-me; e o coração arrepende-se sabe, não sabendo, que ninguém o quer... e todo o olhar cerrado entre a multidão escrava fora o meu sentimento abandonado, de nada ninguém o encontrava... até que, lá ao fundo, disperso, parecendo o céu quando escurece, é o meu coração tremido em verso que nunca de nenhum sentimento se esquece! Álvaro Machado - 14:55 - 11-11-2013

Pranto

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Tenho calma e vontade, Calor, frio e saudade. Quero vir a relembrar Aquele momento, Que passou, já se vai, Perdeu-se na noite de luar Encostados ao jumento Parecíamos estar... Porque, sabendo bem, A verdadeira vitória enquanto vivermos É o talento que tem como nascente Um rio de pureza, de magia crescente, E sermos nós aquilo tudo, nós sermos! Mais ninguém! Para ser única basta fazer algo único, Nada igual, companheiros! Esqueçamos o pranto, os desordeiros, O nosso hino é viver para lá disso! Álvaro Machado - 18:03 - 21-10-2013

Alucinação minha

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Tem estado tão longe o sol da terra Como antes nunca havia estado Se eu soubesse que da paz surgiu guerra Deste mundo, eu próprio, me teria naufragado. Só tem sido interessante a mudança da corrente - Ora me puxa, ora me afasta, mas nunca me há-de largar. É uma relação doentia, minha e do mar, Um pouco comovente. A distância é só uma alucinação de aqui estar. A terra mantém-se perto do dia de sol e da noite de luar. E a vida lá vai indo, devagar, tão calmamente Que adormeço, levemente. Álvaro de Magalhães - 21:56 - 22-05-2013

Raças

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Dêem as mãos; somos juntos se dermos as mãos. Assim, teremos paz e acolheremos os bons momentos. A distância dos continentes é unida por sentimentos Que tantas vezes parecem vãos, Mas, se sentirmos saudades, o vão é insubstituível E mais forte que a distância que nos separa e nos une simultaneamente. A pele mais clara sente o que a pele mais escura sente E toda a humanidade junta torna-se invencível. Não deve existir diferença entre raças, Porque, quando sentes, sentes com o teu coração E quando abraças gostas de quem abraças. Há que desfrutar de paisagens, esquecer a solidão, Esquecer o preconceito destes homens Que vivem da ingratidão. (Sim, os homens que ainda vivem de tempos de escravidão…) Álvaro Machado – 23:19 – 03-04-2013

Domingo de nuvem

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Bate-me no rosto um quente sol Enquanto eu fecho os olhos E esqueço a humanidade inteira Como se nunca tivesse existido. Quero hoje aproveitar o tempo Que me deixa de consciência aliviada... Só sentir rajadas de vento calmo E aceitar a sugestão de figuras para as nuvens… Os meus companheiros estão espalhados Ou por árvores de fruto ou por voos ao acaso, Vão cantando melodias harmónicas Enquanto o céu, todo ele, se abre Para que lhe veja a sua cor autêntica Que nenhum artista há-de nunca pintar. Um verdadeiro apaziguamento de alma… Ninguém fale para mim daqui para adiante… Só quero sentir este sabor tropical A roçar-me nos lábios, e a felicidade que há Ao ver a liberdade selvagem dos animais Que verdadeiramente são e podem ser livres. E o campo de silvado, defronte de mim, Dá a sensação de ser um pedaço de terra incomum. E vai sobrevoando-lhe a borboleta tão branca Com toda a pureza que há ao ser-se animal livre, Em sintonia com outras tantas… E a vila ao domingo é mais bonita. Ontem ...

Suspendia

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Há tanto amor no ar, Tanta energia boa Que pareço alucinar E ver a ilha Goa... É tão simples ser feliz, Que a felicidade nunca diz Realmente o ser assim. (E como nunca dei isso em mim?) Só sei que nos dão boa energia, Porque ela suspendia-se no ar... Quem me viu ali, viu-me olhar Pela vida que me alumia. .... Silêncio... Passos de silêncio... É assim que quero estar. Um silêncio quero me atravessar E um tanto amor está no ar... Álvaro Machado – 23:08 – 28-01-2013