Em todos os cantos há universo




Sempre me entusiasmou, de uma forma intrigante e quase paradoxal, a estonteante beleza do Universo — seja na escuridão dos buracos negros e no seu enigmático horizonte de eventos, seja na fulgente explosão dos raios gama que, por um breve instante, se propaga pelo espaço.

Todos — ou praticamente todos — se uniram para contemplar algo inquietante. E talvez seja precisamente isso que torna tudo tão fascinante: cada fenómeno tem uma beleza que não pode ser comparada à de outro. Há no universo uma espécie de singularidade onírica; cada acontecimento, por mais efémero, é irrepetível na sua própria essência.

O Sol, ainda ali, começou lentamente a desaparecer atrás da Lua. A tarde adquiriu uma estranha tonalidade, suspensa entre o azul e a noite. As sombras tornaram-se mais nítidas, o ar pareceu arrefecer e, por um instante, tudo pareceu ficar em silêncio — não porque o mundo tivesse parado, mas porque, de algum modo, parecia ligado e com os olhos postos no céu.

E talvez tenha sido esse o mais belo paradoxo daquele instante: perante a imensidão do universo, fomos nós, tão pequenos e tão breves, que parámos para contemplá-lo.


Álvaro Machado

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