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Guerra total

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A guerra nunca se limita aos campos de batalha. As suas consequências espalham-se silenciosamente pela economia, pelas relações entre países e pela vida quotidiana das pessoas. Cada conflito interrompe cadeias de produção, encarece a energia e os alimentos, desestabiliza mercados e obriga nações inteiras a redirecionar recursos que poderiam estar a servir o desenvolvimento, a inovação ou o bem-estar social. Do ponto de vista económico, a guerra cria um paradoxo: enquanto alguns setores crescem impulsionados pela indústria militar, a maioria das economias enfrenta inflação, incerteza e retração do investimento. O capital torna-se mais cauteloso, o comércio internacional fragiliza-se e as desigualdades tendem a aprofundar-se. Os desafios futuros serão, por isso, não apenas reconstruir o que foi destruído, mas também restabelecer confiança entre países, garantir estabilidade energética e evitar que tensões geopolíticas continuem a bloq...

A grande teia portuguesa

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  P ortugal arrasta-se há décadas num problema sistémico de corrupção e de crimes que deviam envergonhar qualquer democracia. São crimes que não ficam confinados a gabinetes ou tribunais: afetam-nos a todos, todos os dias, e a pergunta permanece insolúvel — até quando vamos tolerar sem agir? José Sócrates, ex-primeiro-ministro, é a face mais visível desta realidade sombria. Acusado de mais de trinta crimes, que vão de corrupção ativa e passiva a branqueamento de capitais e peculato, a sua gestão marcou o país com decisões danosas, calibradas para o falhanço e para o colapso de instâncias públicas e privadas. E, enquanto isso, o país assistia, quase impassível, à degradação do seu próprio futuro. Nesta rede, Ricardo Salgado assume o papel de arquiteto da teia. A falência do Grupo Espírito Santo, incluindo o BES, e a influência sobre a PT Comunicações moldaram escolhas de liderança, como a nomeação de Henrique Granadeiro, selecionado pelo próprio dono do BES para gerir a PT. Um país ...

ceu do seu

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Vem do céu sangue derramado, duras batalhas, memórias gravadas; prendem-se as naus e as cruzadas, e o ar que nos consome arde calado. A terra guarda fundas cicatrizes neste tempo de sombria incerteza. Valas comuns, erguidas por surpresa, são o húmus das nossas novas raízes. Álvaro Machado 

(Sobre)alcançar

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Quero escrever na minha memória a minha alma. Quero que ela seja inteiramente audível, a mais audível do universo, porque só assim chegarei à outra dimensão — ainda incompreendida — das sensações e da contemplação delas. Afinal, por que não haveríamos nós de querer alcançar todos os recantos do mundo? Álvaro Machado - 28/12/2025

Génesis

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  Onde tudo é torpe, vem apenas o apenas. Nas ruas soltam-se cânticos quando a brisa os invade, os ultrapassa e os confunde na percepção. Talvez — de certo, incerto demais — roubem-lhes a emoção, para nada mais restar dentro do coração. O que sobra? Sobra esta azáfama gigante ao nosso redor - só nos ofusca, só nos distancia, só nos enraivece desse viver o mundo com (mais) humanismo. Álvaro Machado - 18/09/2025 - 22h20

Carruagem sem autor

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A quele homem está, logo pela manhã, mergulhado na sua comum mortalidade quotidiana, passando os dias vazio e imóvel, como se nem mesmo o comboio, com o som estridente a ecoar nos tímpanos, fosse capaz de mover-lhe a alma. Nada o inquieta. Nada perturba o seu pensamento ou rompe os seus ideais. Assim, a sua condição torna-se numa pura expressão de espírito, serena e intocável.  Álvaro Machado - 24/02/2025

Ad impossibilia nemo tenetur

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  É neste intenso cheiro a maresia que me descubro. Neste cair da noite ligado às estrelas do céu estrelar Divido-me entre intensas memórias, as que sempre encubro, E as vivências que nunca hei-de mais apreciar! Sento-me à janela, entre brisas de uma minha extensão qualquer, Para novamente da vida qualquer coisa aproveitar - Se são mais memórias ou vivências, não sabendo o que querer, Quero olhar para a frente e o mar poder recitar! Deu meia-noite. Começou a chover. São os ventos, a tempestade a colher… Como dizer algo se não tiver mais nada p’ra dizer? Quero o mar e tudo mais é viver. Álvaro Machado - 15.08.2024

Criação infindável

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A criação que não finda Que vem dolorosa, sem se apresentar, Vem fragmento a fragmento na vinda E cai, em dobre, em noite de luar Cai enquanto medito sobre o passado. Se eu quiser eu não consigo voltar a tê-lo. (os outros de olhos postos como sabendo o fado) E, de repente, no eléctrico, cai um relâmpago: não voltarei a vê-lo! Sinto e digo e fujo destas epifanias sobressaltadas Não tarda estarei noutro lado, a virar de direcção! Com meu pequeno barco a seguir novas pegadas E o volante a girar, comigo ao leme, a escrever outra canção! Álvaro Machado - 19.09.2023

estrada do mundo

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o coração vai cheio por essa estrada que chamamos mundo... vai carregado de acasos não por acaso,  explode intenso, único no sentir... vai entre ritmos musicais a bater nele e a cada toque da guitarra vibra história efémera no momento, eterna no sentir  por essa estrada que também é destino...  e no toque suave da mente relembrado  tudo se agiganta: mais se quer viver mais se quer ter, mais se quer para vir por essa estrada que no coração quer ficar... Álvaro Machado - 10h25 - 13.06.2023

todos no poema

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Eu sou de todos, sem mais ninguém.  Sou do universo à noite, rodeado de dúvidas, Sou do dia na manhã, com a brisa a escapar-me das mãos, vai e nunca mais vem, Sou das estrelas cadentes que tiram vidas...  Sou da réstia de esperança que esta lá fora, memórias que sobressaidas Tornam este quarto tenebroso e além vós, Além paisagens, além snobes que se achem,  Além dizeres e não dizeres, contos e não contos: Afinal sou eu não sou?  Sou eu de permeio, sou eu lá trás, aquele senhor até o caminho apontou,  Sou eu ali em cima do balcão, ébrio, a regozijar-me por ser um artista falhado,  Por quem ninguém se tem importado?  É não é? Sou de quem é ou de quem não é? Sou-me pelo menos para mim próprio?  Sou o almirante no meio do mar a seguir um caminho que já havia sido navegado?  A bússola que me deram é que o traçou E eu segui-o; o almirante nunca contestou Nem para onde ir nem com quem ir...  Sim, eu sou estes senhores todos. Sou um espelho de v...

Livro de mim

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  Trago dentro de mim Um livro cheio de canções Poemas inteiros que assim Dão vida às minhas emoções Trago neste caderno Percalços do caminho, a minha redenção...  E talvez um dia, em pleno sol de Inverno,  Esqueça esta dor que trago pela mão, Talvez esqueça estes dias vagos,  As horas passadas sem sentido nenhum...  E que estes pensamentos amargos Saiam, por fim, para lugar algum...  Trago o vento e o ranger  Dos mares, da história de todos os seres...  E ao olhar para o céu sinto esperança, sinto um renascer: - "abre esta porta, agora é para viveres!"  Álvaro Machado - 13h42 - 22.05.2023

incessante naufrágio

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  tenho vertigens, o medo incessante de cair... por isso é que me aproximo do mar, longe da terra, deixo o vento para me apontar o sítio, o caminho que devo seguir... temo pelo cadafalso que se está a aproximar não exógeno, o que em mim começa a nascer... o buraco do abismo a ver-se crescer dentro de mim e empurra-me p'ra longe do lar... mas esta incerteza sobressalta: se caio do abismo ou se será a naufragar que serei posto pela última vez a respirar, junto à costa ou à terra, o que me vai matar? Álvaro Machado - 11h33 - 03.05.2023

Das paredes

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"- Como sai o poema?" Sai com a casca partida, com o tom mais grave, com a nota mais triste, sai do meio da estrada da vida, sai da praça imbuída de rostos vazios, sai das mágoas e das memórias passadas, sai dilacerado, já solto, cais escondido... " - Como sentes o poema?" Sem ninguém que o ampare, sem métrica nem simbolismo algum, sem significado objectivo ou lógico sem brisa de canção leve sem Deus no horizonte frio da manhã sem paz, sem nada mesmo: assim sinto o poema... Álvaro Machado - 15h20 - 24/10/2022

Boémia Canção

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  Abri a garrafa e ficai a ouvir a canção... Fiquemos aqui até amanhecer, fiquemos sem noção... (Breve havemos de sucumbir) Bebei até à exaustão O suor da maledicência que cheira a derrota... Se Deus é quem nunca nos perdoa e nos confronta Porque é a nossa inspiração? Mas é nas masmorras do nosso pensamento Que nasce outra imagem fúnebre, ainda por vir! - gritou, covardemente, em sofrimento, um homem que ousou não sentir... E continuou, bem alto e longe: Nas masmorras é que cantámos e bebemos  É aqui que ébrios enlouquecemos! (Disse-o repetidamente até partir...)  Álvaro Machado - 19h15 - 14/10/2022

Assim.

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esta dor vem sombria, dolorosa pela amargura das horas entra-me nas veias calca-me o coração dói-me à exaustão ai que dor sem verso sem forma sem nada que a objective que a torne menos baça e estonteante e dolorosa como a que entra esta noite (quem dera. um dia ser mais assim. não me doer a cabeça. não me fingir outro. não me esconder pela porta das traseiras da chuva à espera como em criança...) Álvaro Machado - 02h20 - 14-11-2018

O lar olvidado

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Sempre fugi dos círculos emblemáticos Peço inequívocamente desculpa As estradas que anseio são dispersas e ruinosas E a distância é total condição. Os portos, que sejam os portos e não outros, Que me dêem o lar que todos os dias peço O amor que a cada passo dado suspiro Ardente como no relento do vento... E que não caie, ó Deus, em esquecimento! Nem acabe nunca perdido num amor insano! Levai-me os versos os cadernos soltos sem fim! Eu preciso de não ser daqui!... Álvaro Machado - 17h38 - 07.11.2017

Desventura insensata

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estou entregue ao ranger do vento à gigante onda que defronte se ergue aos dias às noites ao sistema solar longínquo entrando pela janela d'um quarto esquecido estou entregue a uma qualquer força estupenda que consome toda a minha energia vital esvai-me esventra-me corrói-me para o fundo vácuo e a dimensão e a solidão e a insensatez têm como natural consequência o refúgio o desaparecimento precoce de estar assim entregue Álvaro Machado - 20h05 - 19.10.2017

de folha em folha, tudo cai vão

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cai folha, cai em vão cai sempre a cair vai, não escutes o coração que de ti não sabe sair vai pelo chão mergulha nos ermos semblantes que onde estou só fito escuridão vai pela margem dos transeuntes cai folha paradoxal e quase atómica nem de mim sei, por que haveria de ti saber? perplexa e errática e mística por minha vida desconhecer!... Álvaro Machado - 18h50 - 31-10-2017

Ruy Belo - Morte ao Meio-Dia (Álvaro Machado)

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Depois das tragédias e dos rostos lívidos no meio das chamas. Depois de toda a azáfama política. De Tancos. Do caos. Achei por bem trazer-vos Ruy Belo. Ou, como diria o próprio a propósito de Portugal, "no meu país não acontece nada". Álvaro Machado - 19h05 - 19.10.2017

Da outra margem!

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o sol está posto, mas é da outra margem que somos... da margem onde as mãos inda esfriam onde as ruas se imbuem de gelo e a névoa preenche o vazio da estrada... é daqui que todos te almejamos. todos os dias fitámos o céu para te contemplar. o que somos, o tempo que esperamos temos de deixar, nunca abdicarmos... não sei se o sol algo dia reluzirá aqui... se as casas terão enfim luz a abrir as portadas... não sei se existiremos no amanhã ou no momento seguinte, mas deixemos ir... Álvaro Machado - 02h57 - 11.10.2017