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Anatomias estranhas

Pela face escarlate de anatomias estranhas Contemplava, estranhamente, algures no aduaneiro, Justificação para tantas façanhas! E em vão dei meu último suspiro Ela ria aquelas belas narrativas que lhe contava, Por não entender o sentido ela se desinteressava.... Enquanto isso, narrei novamente o nosso mar; Aí ela se pronunciara: «Fizeste-me pensar!» Paro e passo, embriagado, me relembrava. Nada daquilo existiu na forma que todos imaginamos O pôr-do-sol era um escuro desinteressante E toda aquela chama amorosa que sonhamos Não era senão repugnante. Nada que tu és, sou-o; este barco de vela está distante Afasta coração e razão. Não lembra nem a lembrar Ser-se assim tão repugnante, Mesmo se o não achar. Álvaro Machado - 19:57 - 31-05-2012

Vasta casa assombrada

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Entrei na vasta casa assombrada E via ao fundo do corredor Entre a névoa da fechadura cerrada Algum terror. De súbito, imaginei, algum mal Nas escadarias que ligavam ao pátio, Escutei a melodia infernal! Subterrânea mansão de lívidos esqueletos! Marinheiros, militares, bispos; dispostos no obscuro átrio, E um tanto de folhetos! Estava só e abandonado, Em choro que não transbordava, E nunca relembrado, Me recordava. Velhos tempos que nós vivemos sentados a uma esquina qualquer! Passeamos horas e horas rodeados num cheiro provocador E de um momento para outro senti-me verdadeiro sonhador Como outro qualquer! Tu eras, pelas alfândegas de Lisboa, a paixoneta de todo marinheiro Levantavas voo a águias, ilustravas tão bem a pesca! Ó bela do meu infeliz rotineiro, O teu ar me refresca! E ainda estipula a ciência exactidões, Mas não passam de falsas previsões. Sabê-lo-ás… este azul não segue, Falsas visões. Apenas se ergue, Às certas tentações… Álvaro Mach...

Antepassado do mar

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Sofre, estático, antepassado invulgar, Pela estranha atmosfera me via erguer Ao pé do mar. Estava escuro e mal se ouvia as ondas onduladas soltarem grandes gemidos Aos que se julgavam perdidos. E. vacilante, pela costa recortada Ria numa longa e lenta risada Que me fazia desaparecer No farol defronte da praia já se faziam rondas Os estáticos e inúteis bradavam Os que por nunca ali passavam Fui dado como desaparecido Pela tempestade que ia sofrer Mas que nunca havia aparecido, Por desaparecer. Álvaro Machado - 22:47 - 29-05-2012

Saudade do sonho

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Falta estimo, vontade de confraternizar Faltam versos, palavras, para vivenciar. Meu estimulo perdera-se na lua isolada; Meu tempo foi vão na alma desolada. Todos vivem na plenitude das riquezas do Oriente Abrem lojas, cafés, pavimentos queimados! «Quem dera à vontade fazer esquecer pecados!» E o tempo, meu estimado, faz-me ausente... Desarticula-se-me os ritmos... as baladas! E já em esquecimento dou breves risadas! Mas já não falta nada. Nem a própria vontade, Se falta? Prolonga a chama, quase sufoca, O horizonte na linha que desfoca. E tudo que nós sonhamos verdadeiramente, Não foi senão o que nunca falamos; Já aproxima descontinuadamente, O que nunca sonhamos. Que saudade de tempos que não são tempos Do calor da noite fresca; do frio da manhã clara; Sei que são breves e alongados sofrimentos De uma alma que nunca pensara... Álvaro Machado - 22:30 -28-05-2012

Interior de vontades incertas

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Neste interior não há senão vontades incertas, Brisas que passam e arrepiam Na escuridão do quarto prolongado. E na queda do desespero julgo novas descobertas Abre-se-me janelas e percorro os rios do Sado Mas nunca sou relembrado. Cheguei ao desespero da alma, ao suicídio do corpo, Minhas vontades ja se não faziam, Já se não sentiam... Cafés desertados pelo dia santo; só a mulher feia, analfabeta, Ainda alegra a romaria deserta. Ela que é triste alegremente, faladora e jamais vai calar Apenas por não saber interiorizar Não raciocina aptidões! Nem tão pouco sabe o termo civilização! Busca a egoísta mulher um prodígio amor impossível Que dure para sempre no interior do seu coração Mas ei-la! Semblante empolado e inacessível! Ela não trabalha. Vive em suores alheios Percorre naquele olhar visões e balbucia Intrigas dos que passam e dos que vêm, Quase alucinara no que via Ela não morre. Erguera-se no jazigo Nunca a vi... Mas sinto vê-la Em território inimigo. Mas nunca ver perdê-la. Já f...

Esqueço

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Dizem esquece. Eu esqueço, Sem realmente saber Faço esquecer Procuro as fraquezas, as anomalias Tu que és vento, que és a grande verdade, Tu me contrarias... Não entendo e apuro saber esta contrariedade! Elevo aos infinito o que não recordo, E enfraqueço! Mas não liguem ao que vos conto Não e não! Não leiam, não entendam! Só eu é que os afronto! Eles que me temam! Álvaro Machado - 14:57 - 25-05-2012

Desejo daquele cheiro

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Foi breve o desejo daquele cheiro Enquanto entrava pela porta da natureza, E por momentos esquecia todo o dinheiro Em troca daquela pureza! Ia, no caminho prolongado, Encontrar-me com o velho senhor Escondido entre ramos... isolado, Triste sem dor. Falámos varias horas da vida, da morte, do infinito, Tudo que não se falara. E por momentos sorriu Sua face incolor reluziu Pelo que havia dito. E ali ficámos... Sós e isolados em grandes conversas Chorando, rindo, resmungando, E por vezes às desavenças, Lá íamos concordando... A natureza e o velho eram um belo espectáculo de contemplar! Falavam um com o outro ao som do vento... Não consegui parar de pensar, Porquê aquele sofrimento? No fundo se era feliz à chuva do desejo, ao calor do prazer! Ele sabia-o. Sei que sim... Tinha consciência de saber viver! Já na noite que caíra, soube, que ele sem mim, Era feliz. Esquecera a alma humana pelo prazer, E com a natureza viver! Álvaro Machado - 21:04 - 24-05-201...