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Sombra

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Perscruto em sombras disformes A tranquilidade nocturna De não sentir presenças A não ser a da lua. Os passos? Não há passos. Há somente meus. E há o silêncio, a mágoa, a certeza De que gritar não basta, porque ninguém ouve. Mas tu podes descansar, foste consagrado Para o poder fazer, ó herói por índole que desces à terra! Quem dera que se parecesse com isto o que tenho sonhado! (Descansa tu também; os momentos continuam, sem ti, O universo e as pessoas também, e tu agora sentes Não ter passado de uma sombra.) Álvaro Machado – 15:04 – 19-03-2013

Enevoada viagem

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Contemplo no chão do meu quarto As estrelas de origem desconhecida (Será o meu olhar que ilude?) Que tanto dizem da vida. Da distância entre o quarto e a rua, Está uma névoa intransigente De um cerrado nevoeiro de lua (Será a percepção de gente?) E nos snobismos passos longínquos Que oiço, tudo é ermo, tudo é oco, Tudo é excessivamente desconhecido Para eu questionar o que havia sido... E por que contemplo e suponho a dúvida Aos céus, aos mares e às estrelas intocáveis? Nenhum de vós queira saber mais da vida; Nenhum de vós sabe mais do que isto! Álvaro Machado - 21:27 - 26-12-2012

Passos insontes

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Descia com meus passos insontes As escadas frias, que apenas sobem, E no crepúsculo, acima de montes, Meus passos pertenciam a outrem Percebi que não posso ser eu. Nunca poderia ser, tenho consciência. Eles foram dados por quem morreu Desde da sua existência. E vê comigo aquela visão, por favor. Junta-te a mim nestas escadas Como se possível fosse dar grandes passadas... E chega aqui, que me acerco de pavor. Apressa-te, rápida e veloz, E o grande passo daremos nós... Álvaro Machado - 21:16 - 28-10-2012