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sim.

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se me dissesses sim tudo unia, tudo tinha razão de ser. se nos juntássemos, no jardim todas as flores iriam florescer. o vento tomaria só uma direcção. o mar vinha sempre desaguar no mesmo espaço onde o nosso coração soube o que era amar. os males, os olhos mal voltados, os ignóbeis gestos, sucumbiam de tão ignorados. os deuses do olimpo o céu escureciam e, inda assim, em nossos olhos modestos as estrelas brilhariam... se nós... Álvaro Machado - 04:33 - 26-08-2014

Nós.

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O universo move. Nós paramos. O fogo sobe. Nós encontramo-nos. O destino? Junta. Separa. Da significado. Eterniza-nos por essa essência. Álvaro Machado - 19h54 - 15-08-2014

De um terraço…

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Estão nuvens cerradas, o dia é cinzento e chuvoso. Para que hei-de então voltar a vê-lo da janela De onde se concebem todos os meus sonhos Se eu me sinto triste se voltar a estar lá?... Fico estagnado, com as mãos por dentro do meu sobretudo, A olhar para o horizonte defronte, frio e tão triste, E por entre todos universos que fui criando, sempre muito dispersos e irreais, até que penso: «És tão dolorosa. Dói-me que sejamos todos tão distantes de ti!» Com o coração eu consigo alcançar-me até à varanda do outro quarto, De onde a vida se toma por sublime, E consigo, sozinho, perscrutar a voz do Diabo ao fundo da minha alma: «Peço-te: esquece tudo; deixa-te ir na perdição. Senão, o que é isto?» Mas lembro-me perfeitamente que estava a sonhar, havia adormecido no terraço. No meu sonho tu morreste, sabias? Morreste e eu senti suores frios; amo a humanidade! E penso agora porque todos nos questionámos, penso agora porque nada sabemos de nada… ...

Absinto.

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Não conheço o meu absinto Senão quando estás presente. Aí, como quero, sinto Como ninguém sente. Fico cambaleante para o sentir. Fora do círculo admissível na corte. É o que dá quando se supera e se sente emergir Transcendente e forte. Não tem premonições. Atinge-nos como um relâmpago. E o ser comum vive de ocasiões. Eu vivo do que divago. (Disse um barqueiro qualquer.) Álvaro Machado - 19:50 - 11-09-2013  

Raças

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Dêem as mãos; somos juntos se dermos as mãos. Assim, teremos paz e acolheremos os bons momentos. A distância dos continentes é unida por sentimentos Que tantas vezes parecem vãos, Mas, se sentirmos saudades, o vão é insubstituível E mais forte que a distância que nos separa e nos une simultaneamente. A pele mais clara sente o que a pele mais escura sente E toda a humanidade junta torna-se invencível. Não deve existir diferença entre raças, Porque, quando sentes, sentes com o teu coração E quando abraças gostas de quem abraças. Há que desfrutar de paisagens, esquecer a solidão, Esquecer o preconceito destes homens Que vivem da ingratidão. (Sim, os homens que ainda vivem de tempos de escravidão…) Álvaro Machado – 23:19 – 03-04-2013

A voz…

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É a voz, sei que é a sua voz, Amarga na ocasião, No deleite de um trovão, A voz escutada ente a nós É a solidão... A chuva e os trovões são o sinal Que lá em cima têm passado mal. Deus bebe um cálice de vinho E começa a meditar sozinho Por que razão nada é igual... Sete candelabros de ouro fulgem. Deus ergue-se e nega a luz A este dia e aos que chorem´ A curta passagem até à cruz… (Outros tantos morrem!...) Álvaro Machado – 18:25 – 31-03-2013

Aceno

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Não me dês os teus segredos, Porque eu só quero um momento - Um pequeno e sublime momento - Para que possa sentir-me vivo. O que eu peço é, como o sol matinal, Um dia cheio de vida, um aceno teu Para que possa eu continuar o percurso Sem que me voltes à memória! Porque, afinal, os segredos não contam Toda a história entre nós... Um segredo é só a janela de partida E o resto é ir a sós... Não dês a chave do teu coração. O que eu te peço é mais simples. E o estar a pedir-te é com tanta paixão Que basta um acenar teu p'ra partir! Álvaro Machado – 20:58 – 25-02-2013

Às coisas do futuro

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Às estrelas que me esqueceram... Às luzes que me perderam... Aos astros em duplo sistema solar... Aos deuses em que ninguém quer acreditar... Escrevo a todos esta angústia incansável, As saudades não as sinto ao escrever... Nenhum tem saudade deste haver Ou desta saudade impossível... Sobre os dois hemisférios terrestres Sinto milhões deles a emergir Em poeiras atónitas os vejo mestres Que nunca sabem como agir... Saudades são saudades - podem ser Saudades próximas, que se aproximam Mais de nós e mais nos magoam; Ou saudades de quem não sabe ter, Quando nos estão longe e pesam Como se estivessem em peso de consciência. Aos que escrevo são saudades na sua essência, Por favor, nunca me esqueçam! Aos anos que passam: as estrelas já não me conhecem, Porque haveriam elas de alguma vez me conhecer? Quem as olhou fui eu, quem as amou ao anoitecer Fui apenas eu às horas passadas que envelhecem. Em mim? Ninguém se lembra de mi...