Órion
Foi na noite de lua cheia Que nos abandonou a carabina De Órion - e os devaneios insensatos Partiram com a lua cheia. A nossa memória recordar-lo-á Por não querer mais ele viver Junto de nós - nós fizemo-lo sofrer, Nós fizemo-lo fugir de cá Noite, lua, por onde vão os sentimentos? Esquecem-se pela terra de ninguém... Noite, lua, abandonem quem sofre com a vida, Quem não crê mais nela... «Estar de rastos, estar rebaixado a todos, Não é viver, sabes? Nem é tão pouco nada; Estar como eu, caçador morto, é sentir nesta lua As amargas e incertas certas do fim!... «E que acabe tudo, por estar assim sem nada - Que o dia em que disparei da carabina O fim para a humanidade seja recordado Por mim, que fui seu passado!...» Álvaro Machado – 15:00 – 01-12-2012