Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta Voar

África

Imagem
Apetece-me voar, apetece-me voar Para bem longe e não voltar. Toda a natureza me aguarda, esperançada, Para que eu vá fazer uma boa caçada. O bom que há está nas terras do café. Lá o sol brilha intensamente e nunca desaparece. Voar-me até à terra, voar-me imbuído de fé E assim, a voar, o bom acontece. Nos chegue a Primavera a um fim de tarde E eu não pense mais em terras longínquas! Imaginá-las entristece como o sol quando arde E naquelas terras falam-se diversas línguas! Só falo português. E daqui não quero partir. Só imagino o cantar das aves de lá, As correrias dos animais e as caçadas, que só fazem rir, Quando não existem pelas terras de cá. Álvaro Machado - 15:42 - 05-02-2013

Ao meu amigo de Cherbourg!

Imagem
Viva, amigo de companhia singular. Como tens estado por essa aldeia? Com tens passado junto ao Mar? Não sei por que razão te venho escrever, Pois a nossa vida é uma vida inteira Que nos corre e cedo vimos desaparecer. Ah! Vamos esquecer-nos desse dia! Tenho hoje a disposição faminta de outros ares E quando te escrevo imagino-me a navegares O belo som das ondas que nos deixam perdidos E sem orientação para voltar às nossas casas... O belo som que nos parece dar asas, E voarmos é o limite, porque somos uma raça com limites; E voarmos é sermos marinheiros de rostos felizes, Ainda que em alto-mar naveguemos por sentidos. Navegar por sentidos é navegar consoante o vento E a nossa intuição é de ele estar a Oeste de nós... (Os sentidos que tanto se fazem passar por nós...) Deixemos o vento, Sagè! Rememos sem pressentimento! Errar o Destino? Não sejamos inocentes! Ninguém erra o Destino de homens resistentes! Que saudades, velho ...

Ó mundo! Voar, Voar!

Imagem
O mais bonito que há É voar ao infinito, Nunca mais voltar cá. É voar, é voar, tenho dito! Sobrevoar oceanos e vales, Cruzar peixes e aves, E todas as espécies que existam. É a voar que encantam! Pena não nos terem concebido A arte de voar ou de respirar Submersos; A arte é não encontrar Arte no homem vencido... Porque o mais belo do mundo Nós não temos nem podemos ter; Voar é tocar aos píncaros e ser oriundo De outra terra, de outro amanhecer! O mais bonito que há São as estrelas que brilham intensamente De um outro espaço, mais belo do que cá, Que todos os dias nos atravessa a mente! Voar é compreender E subir ao cimo de nós; Voar é erguer a voz E do mundo nada entender. Álvaro Machado – 21:21 – 20-01-2013

Pequeno alívio d'alma

Imagem
Eu estava fechado numa pequena sala. Era escura e doía pensa-la. E todo o mundo lá fora me esperava - Quando saí nem acreditava. O sol escondido nas nuvens acizentadas, As aves voando sobre as casas E eu, parecendo também com asas, Voava de costas voltadas... Senti alívio em tudo; já não pesava a alma... A esperança renascia de uma tarde calma, E todos me sorriam, todos me adoravam... O vento batia-me na face e já não sentia amálgama, Já não sentia impossibilidade no prazer de viver da fama. E todos me sorriam, todos me admiravam...   Álvaro Machado - 15:05 - 15-01-2013

Fogem, as aves…

Imagem
Fogem, para bem longe, as aves... Escurece o céu e o frio afugenta-as Para bem longe de mim... Eu voo também, sem nunca saber por onde, E talvez vá sozinho, fugindo de mim Para bem longe... Deixem-nas ir para longe daqui... Escutem-lhe o bater de asas lépidas... No céu marca-se de rasto a fuga... Ah, meu deus, meu ar de graça, Por onde vão, afinal, todas elas? (Para longe do teu olhar vão...) Ah, meu pecado avernal, meu sol, Por onde me vou durante a tarde endurecida? (Para bem longe do teu coração...) Álvaro Machado – 15:47 – 05-01-2013

Voz de quem tem

Imagem
  O que ilumina a alma dos que voam para além do mundo? Para quem sente a não sentir com quem sente apenas, Para quem apenas vê, cala e consente como natural As coisas inquietantes de quem quer pensar mais! O que ilumina a alma dos que voam para além do lugar? Vozes imunes à dor da paisagem entre o campo e o fim De todas as coisas deste lugar horrendo em que me vejo, E em que tudo é sangue derramado! Escurece a luz, apesar do Sol folgante brilhar intensamente, Os objectos no permeio escurecem e tornam-se frios Como as caras que passam neste lugar: frias e mórbidas Sempre que cruzo um olhar entre si... E é este o lugar em que tenho que morrer; Não posso voar!... Não posso ir além do que me foi destinado por Deus!... E o meu coração já não faz sentir; Já não tem amor por nada!... Ir além, ir além do mundo e do lugar como nunca pude!... Álvaro Machado – 15 :16 – 04-12-2012