Criação do Ser
Numa imensa vastidão de floresta e de liberdade, Por entre os maiores mistérios que assombram o meu pensamento, Eis que me sento, reconfortado, no cimo de uma jaspe desgastada já pelo tempo, Ao lado do meu companheiro e mestre Whitman, Para saber o que esperar de nós. Compreendemos que tudo é possível nesta tarde de sol Que supomos só nossa, E por isso elevámo-nos como os tais criadores do imperceptível, Do desajustado, do longínquo Que é nosso por direito. Fazemos das nossas dúvidas e das nossas incertezas Um dogmatismo deplorável, mas autêntico; E eis-nos mestres deste Tempo, E servos do outro que coabita interiormente, Lá numa cavidade insubmissa e altiva... Percebemos que o nosso rosto de agora Reluz uma força tamanha De conquista, de desejo intenso, de posse perante todo o universo! E não quebrámos perante vozes inócuas e risos torpes Dos vazios corações do outro lado. Álvaro Machado - 16:02 - 24-05-2015