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Desventura insensata

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estou entregue ao ranger do vento à gigante onda que defronte se ergue aos dias às noites ao sistema solar longínquo entrando pela janela d'um quarto esquecido estou entregue a uma qualquer força estupenda que consome toda a minha energia vital esvai-me esventra-me corrói-me para o fundo vácuo e a dimensão e a solidão e a insensatez têm como natural consequência o refúgio o desaparecimento precoce de estar assim entregue Álvaro Machado - 20h05 - 19.10.2017

Morfina cerebral

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Vácuo... as horas perspassam infinitamente Em que desassossegos me disfarço Até a chuva ouço dolorosamente Súbito, fugaz embaraço O passado? Não o tenho consentir. Fui frágil por deveras sentir. As naus partiam e regressavam E nunca era senão as mesmas a vir... Lá no cimo, infinito que chamamos, Guardo rancor a tudo que ouse existir, Enalteço vozes sombrias só para te ouvir Dizer que nunca nos amamos... A cave é lancinante. Os deuses não existem... O meu desabafo é covarde, desesperante As dúvidas sempre persistem...

Perda de tom

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Lenta e drástica vem Num soar disperso E se me pesa, pesa-me tão bem Como que a todo o universo E a curva da esquina será indefinição Em esse sempre eterno e fiel; Servos leais que nunca vêem no não O rodar livre de um carrossel. Assim são os que nas montanhas se refugiam, Leis esquecidas, vácuos desertores, Os poetas que nesse virar de esquina escreviam Insubmissos e inatos sonhadores!... Álvaro Machado - 14h58 - 10.08.2015

Não sou conduzido, conduzo

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Nada oiço do que se propaga do outro lado de mim. Não deixo minha voz trémula nem minha crença desmoronar por uma praça cheia de sangue. Mantenho-me surdo para os aterradores gritos que infligem dor alheia. Pois eu calo, e no silêncio amargo Só oiço meu coração De herói solitário A seguir passos em que acredito. Quem é lá fora eu não sei... O tempo em nada me pertence nem a meus sonhos... Apenas o lado em que chove sou íntegro... ( Vácuo!... ) Álvaro Machado - 01:33 - 24-05-2015

Coisas do vácuo

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Como era bom, ó coisas, não ser assim E ficar com a ideia errada do que sou. Como era bom, ó vácuo, eu dizer-te sim Esse mesmo que inda agora não pensou. Coisas de nada, vácuos deste pensar... Sou doido para continuamente prolongar A grandeza do céu, por ser gigante, E da alma por ser repugnante... Tudo só porque tenho tudo. Nada só porque não tenho nada. Isso seria o conto de fada Para ser como o mundo. Não sei, não sei... Nunca soube, acho! Escrevo porque não sei. Porém, ao luar do que eu pensei, Encontro ardente facho! Facho fusco, facho odioso, Facho saudoso... É noite e estou a acabar Este trecho escrito ao luar. Álvaro Machado - 19:35 - 10-10-2012