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Turvo

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Frágil, como a alma, Entra adentro, Tão sem ninguém E silenciosa Só p’ra mim Ela existe Com toda a essência, Sempre calma e fria, E com o vento triste De memórias fragmentadas... Viva à vossa memória: Eu, que vos saúdo em toda à parte, Que alma carrego neste preciso momento? A de um morto que vive de sua morte Ou, sendo não isso, A de um vivo que de sua vida não vive? Respondo-vos, amigos: Nenhuma dessas é minha, Pois eu, e não mais ninguém, Vive mais do que lhe é dado, Vive consoante a solidão, Ao lado das almas vivas E escutando partidas. E todo o silêncio é sagrado! (Estou só e abandonado.) Nenhuma alma é eterna. Ninguém sobrevive À enevoada e tenebrosa vinda… Este destino tem como missão destronar-me Do sonho em que idealizei a vida infindável… Todo o espírito, agora, me cruza às escuras E por ali vou, em passo inaudível e pensativo, Desaparecendo também!... Álvaro Machado – 02:27 – 15-07-2013

Às vezes

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Sabes que eu às vezes fico a pensar No que afinal nos tornámos, Se realmente sabemos se somos Alguém que tem tanto p'ra dar... Só às vezes, porque não quero cismar Nestas coisas que nos impedem de viver; Só às vezes eu penso no que vai acontecer Se isto tudo, um dia, acabar... O consenso, quando se chega a ele, é iludir Quando não se encontram respostas p'ra nada, Porque tu sabes, ó miragem, que serás sempre amada Quanto mais por quem está p'ra vir... Só fico triste nestes momentos, sabes? Parece que vivemos para nada e nada é vivido, Parece que somos para nada e nada é esquecido... E o medo que carrego é nunca te encontrar... Continua longe e assim nunca hei de lá chegar... Só fico triste às vezes, quando penso nisto... O que eu sei? Que fico confundido, e não persisto. Deixo-a esquecida no fundo de uma gaveta E pode ser que assim te veja mais d’ perto. Álvaro Machado – 20:22 – 07-02-2013

Prematuro

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Hoje ainda não nasci E o meu destino é nunca nascer, O que quero não sei querer E há a ideia de que já morri. É triste ser assim tão frio Como as horas passadas à lareira Neste inverno coberto de fogueira Que arde até ao rio. Ainda não nasci, nem o desejo; O que quero? É só não nascer, É só não vir, é só esquecer... Há o sabor de morte prematura, Há a dor incontornável que sempre dura, E o que quis? Nunca quis nascer... Álvaro Machado - 20:29 - 21-01-2013

Perdida força

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Não nasci com as forças necessárias Para entender os motivos do que é sentir... Não nasci para entender coisa nenhuma! E o que eu quero é fugir... É tudo excessivamente difícil para mim... É uma sintonia de negativismo, E a mágoa de te recordar é o abismo Da coisa que se inicia e não tem fim... E tudo é fácil quando oiço o coiro Por aquele jardim brilhante de oiro. Tudo é fácil com uma vida assim! Só eu é que me acho pobre e triste... Ó vida assim, porque nunca me viste? Eu quero-te tanto como a mim! Álvaro Machado – 22:33 – 11-01-2013

Nada de mim é meu

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Nada é real, nada é dor, nada é alegria Neste mundo tão cheio de quase-verdade E tão vago de quase-sonho; Nada lhe é certo, Nada lhe é certo de ser, nada lhe chega perto de ser. Eu não sinto no mundo real nada por ninguém, Não partilho das indecisões de ninguém, Não ajo a bem de outros... Fujo apenas, fujo além Enquanto lhe souber caminho e achar-lhe rasto! E dirão as estrelas que fuja com elas para bem longe, Para uma nova esfera de gases mágicos, e intensas almas Viverão como eu, tão prendidas do real, tão prendidas a nada! (Mesmo o facto de escrever me entristece; não tenho cura...) Bem longe disto, dir-me-ão elas! Tão altivas naquele céu! Tão fulgentes na noite! Tão longe da percepção! Bem longe disto... Bem longe deste nada que sofre na dor De nem sequer existir dor; do vazio da alegria que não existe! Se me acho escondido entre folhagens sombrias? Se me acho cobarde entre parecer o que não sou? Apre! Mais do que isso, acho mostrar...