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Navio perdido

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Sou um navio perdido Na calha da sorte do mar Para trás deixo a terra, o meu lar, Tudo aquilo porque tenho vivido. Estou na corrente da indefinição - Seguro e ergo a haste, Vou ao leme, o mar que não arraste Para o indefinido o meu coração. E se eu me tornei assim Foi porque quis alguém… Calhou-me este destino E a mais ninguém… Sou um navio perdido Na eterna saudade; Porquê tanta mágoa sem sentido Na minha eternidade? Álvaro Machado – 11:48 – 02-02-2014

Desencanto em viagem

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Caminha desencantada, Por ali se vai deixando ir E a sorte venha, se tiver que vir Ou senão que se dê por terminada. Chove na estação… E entre os carris eu desejo estar do lado de lá, (Talvez seja mais feliz do que cá…) Quem mo pede é o meu coração… E, por entre o céu cinzento, O meu ser quer estar na praia. Por lá me têm como barqueiro com talento E eu não quero que isso me saia. Álvaro Machado - 14:58 - 29-09-2013

Cormac

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  Perdidos em vão e à sorte do Destino, Esquecidos por tudo e todos, Somos os poetas do Meridiano de Sangue Isolados, porque assim o quiseram. Ermos e inertes lugares, Povoados apenas por os desventurados... Florescem e frutificam os pomares E quantos dias são por nós passados? Ah, que é doloroso deambular ao azar! E o farrapo do miúdo se lhe desnorteia! Quantos mais estão para vir? sabe ninguém, Ninguém é certeza de vinda. É o despovoado bebedouro dos camelos Que lhes arrefece a pressa da vinda: "Pois vide vós o averno que vos espera Quando mil tochas vos marcarem o rosto!" Lhe atirava com infâmias ainda no porvir - Atiravam-nos com as culpas de quem sonhou Com tudo o que não podia ser seu, Atiravam-nos com a má sorte de quem amou... O porteiro da antecâmara, desgraçado ele também. Desafortunado como seus compadres poetas, Que foram sonhando e foram-se perdendo Até ao lugar esquecido do Meridiano de Sangue. ...

O percurso

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As belas dádivas nem sempre são dadas A quem é seu merecedor. Umas são superiores à própria dor, Outras paisagens inventadas O melhor Destino nem sempre é partilhado Com quem de melhor fez para o merecer. Às vezes é um acaso acontecer, Outras, um Destino traçado… As melhores formosuras e riquezas Nem sempre têm as divinas princesas; Há lados de fidelidade e cortesia, E lados em que isso não acontecia Mas o que de bom não existe, Onde deambulam os pobres, os desafortunados, É um mundo mais do que triste De finais não-pensados… Neles, e somente neles, reside o esquecimento, E a falta de memória da sua existência! E é nesses que o dia é todo sofrimento Entre o antes e o depois que eu lamento Álvaro Machado – 22:30 – 15-11-2012