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Substância

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Vês? Ali, ao longe, é tudo. É o universo, a verdade crua, o sentimento despido de interpretações. A luz que vês é sábia, é intensa, é virtude... Ela guiar-te-á. Eu sei, a sensação é um audaz abalo. Acaba por fazer ruir os alicerces onde nos equilibrámos... Mas sabes, não posso dar-te a chave, não posso vender-te o mundo como Orionte vendeu Que importância tem isso para ti? Olha para o céu. O céu tem tudo. Vê, sente: inspirámo-nos, condessámos a metafísica, hoje escrevemos com o coração tamanha obra!... Que vale a pena na vida? O indefinido, o incerto, o desconhecido - isso move os poetas, às escuras, na caverna do desassossego servos de todo aquele misticismo, dos devaneios repetidos, do porquê inverosímil... Não sabias que sou cego? O melhor do mundo não é ver, é sentir além-mim, além-ti, além-tudo... Álvaro Machado – 04:54 – 29-08-2015

Universo que espera

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Sei que tudo está à minha espera. Que o universo está no infinito Da minha voz e dos meus sonhos E vai adiante, a multiplicar-se O sentimento que é grande Como um Deus. Por mim a força do mar E a luz do astro-rei Se concentram, Brotam em força transcendente Pronta a derrotar o conformismo Que sustem o mundo. Irei escrever os versos sublimes Que o meu coração tanto reclama. Tudo me espera. O mundo inteiro! Enchem-se as praças de sensações, Aves que pelo céu voam alegres, Ruídos dos carros deste século Sem chama. Mas eu subo a esta mesa de madeira E digo-vos que este sou eu, Sem medo nenhum da verdade; E sei ter a consciência que a morte é um desfecho Do mais natural pensamento concebido por Deus. Aqui em cima sou livre. Tenho a alma inavegável. E os sonhos vão conquistar o mundo. Ele espera por mim! Álvaro Machado  - 23:19 - 18-03-2014

Metafísica ponte

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Derroca-se uma ponte Imbuía de sonhos, do que queria para mim Anos levei para, na minha mente, A construir, torná-la verdadeira, Parte de mim e do meu ser. Bem me recordo da vontade, do ânimo De saltar da cadeira só com a ideia a surgir! Bem me recordo de como eu era... Frenético, imparável, pronto para conquistar o mundo. Vozes contra? Nem se faziam ouvir. Mas a ponte, agora, derroca-se Diante do meu ser. Desmorona tudo, tudo aquilo que poderia dizer Ser a minha essência. E tanto mais não é que eu olho reconfortado Com minha própria impotência Ao ver que o sonho está a ser atacado E eu nada faço para o impedir? Não sei, desculpem-me, mas não sei O porquê de não conseguir reagir, De não conseguir tirar os pés do chão, De não conseguir dizer: não, não a levem! Eu não quero nada, sinto-me cansado de tudo, Em mim mora a inércia e a descrença De tudo e por tudo, se acabar, que acabe, Se continuar, que continue... Eu simplesment...

De um terraço…

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Estão nuvens cerradas, o dia é cinzento e chuvoso. Para que hei-de então voltar a vê-lo da janela De onde se concebem todos os meus sonhos Se eu me sinto triste se voltar a estar lá?... Fico estagnado, com as mãos por dentro do meu sobretudo, A olhar para o horizonte defronte, frio e tão triste, E por entre todos universos que fui criando, sempre muito dispersos e irreais, até que penso: «És tão dolorosa. Dói-me que sejamos todos tão distantes de ti!» Com o coração eu consigo alcançar-me até à varanda do outro quarto, De onde a vida se toma por sublime, E consigo, sozinho, perscrutar a voz do Diabo ao fundo da minha alma: «Peço-te: esquece tudo; deixa-te ir na perdição. Senão, o que é isto?» Mas lembro-me perfeitamente que estava a sonhar, havia adormecido no terraço. No meu sonho tu morreste, sabias? Morreste e eu senti suores frios; amo a humanidade! E penso agora porque todos nos questionámos, penso agora porque nada sabemos de nada… ...

Cave

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Está muito distante. Na cave fria que ninguém lembra E onde ninguém vai ao encontro. Só sei que é distante... Só sei que por lá ninguém passa... Está no limbo e por lá ficará enterrada... Sonhos que se vêm e que se vão, Diante de um vazio mais vazio do que o de estar triste... Ondas amargas que nem do mar são... Pedir será em vão, porque calhou assim... A distância na distância criou um frio cerrado: Talvez a morte tenha chegado. Álvaro Machado - 21:52 - 15-08-2013

Carpe Diem?

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A vida é a maior ingratidão que pode existir. Que desde do momento em que nascemos Passa a estar nas nossas mãos o destino De cegar os olhos e esquecer os sonhos Se por bem chegará a nossa hora. E o nosso maior erro é escolher viver, Escolher ter sonhos e paixões… Fizéramos então, queiramos ou não, Parte da vida, parte do mistério da morte, Parte do paraíso e do averno... Tão nobre é justamente viver, saborear a liberdade E contemplar a natureza na sua plenitude. Mas passamos a vida inteira a desperdiçar oportunidades E quando as vimos defronte e bem claras Tarde é para as não desperdiçar. Sucumbem à primeira instância e a vida é triste por isso. Porque se sofre a angustia de vir tudo desmoronar, Todos os entes queridos para trás deixar... Espera por nós a escuridão, a queda no vácuo infinito... Toma-se o último respiro como lição para a vida... Álvaro Machado – 21:27 – 09-07-2013  

Em partida

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Está viva a esperança de mantermos Um sonho ou uma vontade p'ra percorrer Por entre as brumosas manhãs que amamos Como se fosse um anoitecer E nos atiram contra as fortes marés Para que naveguemos até ao fim (Os últimos passos foram dados por mim...) Com a haste erguida no quebrado convés... Pouco vimos do sol e sem sentido navegamos. Estamos distantes como o mar E os sonhos e as esperanças que temos Um dia também hão-de acabar. - Há a esperança, a vontade de construir Um caminho para que possas viver, Mas também é teu direito saber Que em breves vais partir. As fortes correntes nos levam. Ter sonhos e esperanças?... De nada valem, na maré se percam E o dia será somente d’ lembranças. Álvaro Machado – 21:15 – 03-02-2013

Sonhos são pesadelos

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Os sonhos que eu sonho são pesadelos Que me fazem acordar, de repente, transpirado E com uma ansiedade que esfria pelo corpo (Ó meu amor, por que tenho eu sonhado?) Sensação de medo sem origem que entra mim adentro... Derrocada em dimensões de outros mundos bizarros... Rostos distorcidos que me fazem parecer real a sua existência... (E por que os sonho se nunca quis sê-los?) O acordar é já ter medo de viver. É ter medo da verdade do nosso ser, E de todos aqueles rostos incertos Que nos deixam também assim... E eu deito-me às avessas na minha retocada alma A pensar no que realmente é sonhar... Será uma ideia de outro mundo que posso acreditar? Ou serão os novos rostos do meu futuro? (Se os sonhei é porque alguém quis que os sonhasse, Se lhes foi dada forma foi para que eu acreditasse...) Álvaro Machado – 20:38 – 23-01-2013