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A mostrar mensagens com a etiqueta Solidão

todos no poema

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Eu sou de todos, sem mais ninguém.  Sou do universo à noite, rodeado de dúvidas, Sou do dia na manhã, com a brisa a escapar-me das mãos, vai e nunca mais vem, Sou das estrelas cadentes que tiram vidas...  Sou da réstia de esperança que esta lá fora, memórias que sobressaidas Tornam este quarto tenebroso e além vós, Além paisagens, além snobes que se achem,  Além dizeres e não dizeres, contos e não contos: Afinal sou eu não sou?  Sou eu de permeio, sou eu lá trás, aquele senhor até o caminho apontou,  Sou eu ali em cima do balcão, ébrio, a regozijar-me por ser um artista falhado,  Por quem ninguém se tem importado?  É não é? Sou de quem é ou de quem não é? Sou-me pelo menos para mim próprio?  Sou o almirante no meio do mar a seguir um caminho que já havia sido navegado?  A bússola que me deram é que o traçou E eu segui-o; o almirante nunca contestou Nem para onde ir nem com quem ir...  Sim, eu sou estes senhores todos. Sou um espelho de v...

Assim.

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esta dor vem sombria, dolorosa pela amargura das horas entra-me nas veias calca-me o coração dói-me à exaustão ai que dor sem verso sem forma sem nada que a objective que a torne menos baça e estonteante e dolorosa como a que entra esta noite (quem dera. um dia ser mais assim. não me doer a cabeça. não me fingir outro. não me esconder pela porta das traseiras da chuva à espera como em criança...) Álvaro Machado - 02h20 - 14-11-2018

Desventura insensata

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estou entregue ao ranger do vento à gigante onda que defronte se ergue aos dias às noites ao sistema solar longínquo entrando pela janela d'um quarto esquecido estou entregue a uma qualquer força estupenda que consome toda a minha energia vital esvai-me esventra-me corrói-me para o fundo vácuo e a dimensão e a solidão e a insensatez têm como natural consequência o refúgio o desaparecimento precoce de estar assim entregue Álvaro Machado - 20h05 - 19.10.2017

Aurora do trovador

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Barco que fora o barco do sentir deveras do trovador que cantara cousas que inda não eras Barco que fora o barco do disperso, do vão aonde trovar sobre a aurora resplandecia na canção Quantos mares fomos, quantos homens naufragámos? Se eles soubessem quem somos, o que só nós sonhámos Que seria hoje do barco, da canção? Dormiria onde o trovador? Ah,tanto pesar num coração, tanto p'ra sentir um pensador!... Álvaro Machado - 16h12 - 20-03-2016

Fragmento contemplativo

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Nada que correu E inda 'sta correndo Sinto como meu, Do eu que está desvanecendo Pois é no universo Que silêncio somos - Bruma contra bruma, pesar disperso De outro que outrora fomos Ah, fosse esse tédio assim! Lentamente destruindo Cada pedaço que em mim Vai subsistindo!... Leonard Sagè - 19h46 - 06-03-2016

Casas onde não trago memória

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Casas onde não trago memória fizeram de mim esta lembrança que hoje sou... Toda a vontade de querer se tornou inglória, de mim se me distanciou... Aquele calor vindo de ternura de mim não resta hoje sinal senão o de dor sem cura E aqueles sorrisos, aquelas gargalhadas, Onde os pensei reais e verdadeiros Não passaram de projecções falhadas!.. Essa vida onde, por sorte e infortúnio, havia sobrevivido? Não queiras uma; o sol jamais cobria meu semblante, as ruas tornavam-se naquilo p'ra que tinha desaparecido, e eu deixei-me ir, desvairado deambulante... Álvaro Machado - 22:21 - 12-12-2015

Decapitação solene

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Do cimo, não sei, perto do cimo, não, nada disso! Qualquer cousa, ali, acolá, mas no cimo não quero! Oiçam, calem-se, mexam-se; a cidade saí p'ra rua não saindo! Entontecido, enternecido, quieto, fiel à morte, mas nunca vivo! Se me revolto, já não me revolto, tudo quis e agora nada mais... Parem! Dai-me a decapitação, senhores! Só eu é que vejo, não, não acredito!  Álvaro Machado - 03h06 - 17-11-2015

Turva impressão

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Sórdido e desolado Numa turva impressão Fico como que acabado Ou somente com essa sensação. Por entre a chuva sentindo Ou nem sentindo coisa nenhuma Sou uma aragem indo, Isto se fui coisa alguma. Mas já que a morte é certa, E deus uma desconhecida verdade, Que esteja sempre minha consciência aberta De essência e inerte saudade.. Álvaro Machado - 18h48 - 08-11-2015

Onda do desassossego

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Cada som que vem da onda vinda do mar é de um soar de ninguém, de um nunca encontrar. Vem e regressa nesse instante - esse soar que depressa o é frio e distante. Mas então porque tu vens encontrar-me na orla da vida? Pensei que de tantas ondas que tens, tivesses a minha por esquecida!... Álvaro Machado - 14h18 - 21.10.2015

Êxtase inócuo

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Às escuras - pleno e só - Onde a onda vem erradamente Escorre a mágoa, e o breve espaço é Monótono e indiferente. Não hei-de querer nada. Querer é uma intima cobardia. Essa terra além é onde esperançada Tarda a luz do dia. Por mais que veja, que queira ver, Defronte é longínqua e fria Distante como quem nunca vai saber O quão feliz eu seria!... Álvaro Machado - 01h45 - 10-10-2015

Índole sábia

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à frente do nada onde a alma é o ver nunca soube do saber e a morte nunca havia de querer sair dos que a ouviram... então soara cada vez mais lá do fundo, da casa longínqua, o eco onde mortes são iguais a um virar de página... sempre indo à deriva ( vendo-nos de permeio... ) num ir diante de uma escuridão cerrada às avessas com a verdade... para quê um sábio no meio do nada que é cave habitada pela alma do outro lado da estrada? Álvaro Machado - 19:05 - 03-05-2015

Cave do coração

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Na cave do coração magoado Uma perturbadora e entreaberta porta deixa a dor surgir Por entre a madrugada distante. Eu, envolto nos mais desesperados embalos para a morte, Deixo fluir a escuridão que há em mim - vejo-a expandir por todo o universo Em eterno vácuo... E que só tu, noite de recantos infinitos, Me compreendas e me leves no coração... Porque o resto eu calo e guardo E mantenho gélido... Gélido então, pois a vida me deu sombra e solidão Quando havia sol e alegria; Abriu-me, sem que notasse, uma ferida nessa cave Que eu chamei de coração... Álvaro Machado - 01:24 - 01-05-2015

Instância de poeta

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Morrer lentamente Mais dor impregnada O é que a morte de repente Que nem chega a ser interceptada. A solidão onde à volta desvasta, A consciência do estar só, num ir lentamente, Em um sentimento contrasta Para o que tanto sente... Vida breve, e sem amor próprio Nos precipitámos para o abismo... Nunca no meu divagar pareço sóbrio -antes pertenço ao profundo cismo!... Álvaro Machado - 10:47 - 08-04-2015

A arte silenciosa

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Calo-me porque o silêncio é sagrado e as palavras amaldiçoadas. Estagno porque o meu pecado é ficar de mãos atadas... E às vezes deixo-me pensar que na verdade aqui não pertenço. A minha alma é do mar e só a navegar é que venço... E é no meu calar que mais me hão-de ouvir. Quanto do que eu sou vai-me no expressar, porque só assim sei sentir... Álvaro Machado - 22:22 - 01-04-2015

Em Portalegre, cidade do testemunho

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fechado. vento cerrado. à porta de casa do poeta pareço certo, mas soo errado com uma crença incerta como que um sonho onde estou algemado. grito frenético aos transeuntes. ó vento suão, obrigado! toda a energia que impus nestas estrofes me deixam desolado! obrigado! obrigado! deus embriagado quem dera a mim ter mudado se te tivesse acreditado!... e a vida é viagem. em pouco resumi-a eu. ora breve, ora extensa, tudo é paisagem - se viveu, se morreu, ela se perdeu...  Álvaro Machado - 00:26 - 30-03-2015

Chuva destrutiva

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Num dos inconscientes instintos da alma, Volto-me, além-sentido, para uma criação do nada... E deixo-me estar à chuva, inquieto e sórdido, Envolto num cismo profundamente inútil, Até que caie a noite. Depois, convicto, lúcido, desajustado à realidade humana, Ergo o meu chapéu intelectual, coloco o sobretudo aos ombros, E por aí fora me deixo ir, me deixo levar insensatamente Como que fosse o expoente da loucura acreditar Que não somos inúteis!... Dei goles profundos de um vinho estranho, mas saboroso. Só assim pude realmente esquecer o raciocínio do nada que construí... Bebi-o até cair redondo no chão, a balbuciar o terror que acerca o meu coração, E a pedir-vos que me deixem, que me deixem cair no abismo, No esquecimento profundo: deixai-me! ( Chove mais em mim do que lá fora. ) Álvaro Machado - 18:18 - 14-02-2015

Súbitos deambulantes

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Toma de ânimo os nossos corpos. Ao redor, ao cimo cinza seremos... Toma este meu sonhar com toda a certeza que um dia hão-de lembrar o porquê desta tristeza... Toma, leva-me para a distância. Ninguém lembre, afinal... Foi tudo breve, numa instância deram-me todo o mal... Ide, ide, ó poetas da corrente! Ide, que todos vão... Todo o que escreveu aquilo que sente e viveu desassossegado com tamanha solidão sabe por que viveu tão repentinamente!... Álvaro Machado - 21:14 - 25-10-2014

à saudade

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estou só para o mundo, para o meu mundo... o senhor whitman e o senhor pessoa partiram há tempo de mais... agora o mundo só me soa a pessoas iguais... todos os génios abandonaram o navio e a viagem da dor... só as minhas saudades ficaram em tudo que está a meu redor... só. e as estrelas de todo universo soam em uma frieza distante... mas aquela luz é tão intensa e brilhante que eu faço de mim um pequeno verso, uma pequena voz que surge em mim num momento bem disperso... por que todos eles me deixaram? inda há pouco tempo éramos um só... conversávamos para além do infinito e riamos do que cada um havia escrito... por que as ondas nos separaram e eu me sinto só?... só de mim e só do mundo. só. dói escrever estando assim. até um dia, amigos, até um dia. escrevam de volta, lembrem-se de mim, e talvez a vida me sorria de novo. Álvaro Machado - 02:24 - 29-06-2014

sem desfecho

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para mim estar nessa multidão é como se não existisse. cada passo e cada suspiro meu é uma tremenda ilusão. é cair de rastos no chão sem me conseguir levantar mais. são as iluminações e os barulhos, eles confundem-me; e o corpo e a mente perdem-se horas a fio, sem nunca mais se encontrarem... caminho, porém. lado a lado com a lua, eu caminho sozinho... p'ra onde? p'ra lado nenhum... lado nenhum, pois; então é tudo um vácuo e eu sentir não vos importa coisa alguma... é mais um que na sombra se mexe e na sombra se perde até à eternidade do ser. é só mais um com fantasmas e receios, com cadafalsos e mentiras entre eles... que me importa viver? viver assim é não viver assim. pouca coisa resta, porque eu por dentro morro em um requiem de obscuridade ébria... estarmos juntos no amanhecer? mas que amanhecer nos há-de juntar se nós fomos feitos para estar sós, longínquos, sem sabermos da existência um do outro, ainda que saibamos perfeitamente que...

Total perda

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Perdi tudo... Mesmo esse nada se esvaiu de mim... Tornado escombros, vagabundo... Aqui gelo; e que sou? Em multidões escondo-me, mas por dentro morro. Toda a crença é cavar mais fundo na minha cave de inércia... Perdi o controlo... Tornei-me num deus frio, não sabia... E quando cumprimentei o barbeiro ao pensar nisto, ele sorria... Pois agora solto um breve suspiro ainda antes de partir... Se soubessem o fardo que carrego e, inda assim, nunca o tiro... Só quero apagar o cigarro e sorrir... Mas agora é tempo perdido - o que perdi, é fugido, e o que tenho é efémero para voltar a viver. Álvaro Machado - 20:38 - 30-05-2014