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A mostrar mensagens com a etiqueta Sofrimento

Boémia Canção

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  Abri a garrafa e ficai a ouvir a canção... Fiquemos aqui até amanhecer, fiquemos sem noção... (Breve havemos de sucumbir) Bebei até à exaustão O suor da maledicência que cheira a derrota... Se Deus é quem nunca nos perdoa e nos confronta Porque é a nossa inspiração? Mas é nas masmorras do nosso pensamento Que nasce outra imagem fúnebre, ainda por vir! - gritou, covardemente, em sofrimento, um homem que ousou não sentir... E continuou, bem alto e longe: Nas masmorras é que cantámos e bebemos  É aqui que ébrios enlouquecemos! (Disse-o repetidamente até partir...)  Álvaro Machado - 19h15 - 14/10/2022

Assim.

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esta dor vem sombria, dolorosa pela amargura das horas entra-me nas veias calca-me o coração dói-me à exaustão ai que dor sem verso sem forma sem nada que a objective que a torne menos baça e estonteante e dolorosa como a que entra esta noite (quem dera. um dia ser mais assim. não me doer a cabeça. não me fingir outro. não me esconder pela porta das traseiras da chuva à espera como em criança...) Álvaro Machado - 02h20 - 14-11-2018

de folha em folha, tudo cai vão

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cai folha, cai em vão cai sempre a cair vai, não escutes o coração que de ti não sabe sair vai pelo chão mergulha nos ermos semblantes que onde estou só fito escuridão vai pela margem dos transeuntes cai folha paradoxal e quase atómica nem de mim sei, por que haveria de ti saber? perplexa e errática e mística por minha vida desconhecer!... Álvaro Machado - 18h50 - 31-10-2017

confissão marítima

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o meu coração é agora a nau prestes a atracar em qualquer porto atraco à noite pesada e sombria ou talvez à manha clara do dia seguinte estou quase a chegar! que emoção de conquista! iço sobre a nau a paz almejada naquele pedaço de ilha defronte mas logo uma turbulência desmedida posta na força do mar insano quebra em pedaços a nau do meu coração e o sonho, o amor de ali chegar, cessa em permeio... Álvaro Machado - 03h51 - 09.10.2017

Homem-multidão

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A esta hora onde me sou tremendo sob a veste do mundo (e Deus assim se esquivou) peso e sinto-me imundo quase no fundo... A esta hora de indefinição voltado às confissões ancestrais deixo-vos: escutai o meu coração, o porquê de infinitos ais... E que as montanhas mais ásperas, as ondas dos mares mais insubordinados, as terras longínquas e áridas sejam, ó poetas!, nossos legados!... E a hora, ténue ao menos no sofrer, sucumbe de mim pela mão... A hora que me deixou agonia no ser, até sempre na multidão!... Álvaro Machado - 23h48 - 15-05-2016

Manto de dor

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É tudo vento - e vento é coisa desinteressada. Para quê névoa tamanha na estrada, Se o único que tem lamento É doido e não sabe nada? Ninguém vê lugar nenhum defronte - vê o vento, e é cego e mudo e inexistente. Mas por que se hão-de importar com quem sente? Interessa é saúde e não quem confronte, É só comum o torpe que mente. E é assim, e é assim por isso, Que sofro eu tanto. Cobre-se o homem desse manto E nele é como feitiço: Engana e trai e nunca tivera encanto. Álvaro Machado - 01h59 - 10-11-2015

Viagem no sonho

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Ébriamente sonho. E esqueço-me de ser. Serei um sentir enfadonho Cansado de sobreviver? Especulo sobre os deuses, Dizem-me de louco nos arredores. Queira eu mais nuances Da vida restam só sofredores. Distúrbio complexo e psíquico De onda em onda remando O meu amor metafísico É eterno comigo ao comando. Mas paro. Querer? Ah, mesmo no querendo já Se me destrono de vencer Esse remar na orla vã.. Álvaro Machado - 03:17 - 01-11-2015

transparência da alma

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fito, no horizonte largo e ténue, a máscara pouco a pouco a sucumbir; com o cair da noite amarga e lancinante dispo-me às árvores e às estrelas do céu distante nunca sabendo quando irei partir... que vida, que morte iminente, que desassossego! querer o mar, querer a inocência que outrora por aqui passou! tanto ansiar, tanto ir, tanto perder... e aonde no regresso a dor se encontrou não foi fora, mas foi dentro do meu ser!... Álvaro Machado - 23:04 - 05-04-2015

A arte silenciosa

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Calo-me porque o silêncio é sagrado e as palavras amaldiçoadas. Estagno porque o meu pecado é ficar de mãos atadas... E às vezes deixo-me pensar que na verdade aqui não pertenço. A minha alma é do mar e só a navegar é que venço... E é no meu calar que mais me hão-de ouvir. Quanto do que eu sou vai-me no expressar, porque só assim sei sentir... Álvaro Machado - 22:22 - 01-04-2015

pranto recalcado

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silêncio: é noite, chove e eu não existo. na fé oiço, calo e desisto. estou só, sofro, e é assim que eu quero estar. cubro-me com o vácuo, fito o mar e penso: quero-me ir, quero findar. Orionte - 00:10 - 28-05-2014

sensações despropositadas

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o pensar é uma enorme aflição quando o sol preenche dias vagos e por dentro, bem por dentro, uma tempestade se ergue para tudo levar. só isso é quanto baste para me sentir a sufocar (eu não pertenço a estes grupos) um aperto no coração que de mim se alenta. quero, como tu, mestre calmo, certo, ter a certeza dos teus versos. leviano sentir, barca ao relento, que vê e ouve e o resto tem pouca importância. Álvaro Machado - 19:00 - 15-03-2014

Agora.

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Nesta viagem onde o mar é imenso e eu sozinho no meio dele, iço a bandeira na calma noite onde dizem haver um universo vasto infinito de o sentir. Já ouvi falar muitas vezes desta viagem de começar, ir, perder-me e acabar... e então, é neste raio de consciência que o tempo voa como o vento lá fora e eu, então aí sei, sei que sou o barqueiro e também vejo a grande dimensão do mundo como uma indefinição bem definida por alguém que nos quer... Bem, sei lá. Não posso entender muito. Pouco do que sei é contemplar esta cidade inteira (olhem como brilha, tão repleta de vida) e isso já é quanto baste para eu chorar. Álvaro Machado - 22.24 - 09-03-2014

Rejeição

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Pedi-vos um tempo, Um tempo de descanso, Pedi-vos paz, sossego, Nem tampouco a felicidade Almejei. Pedi-vos que me deixassem! Quis ir numa viagem Ao meu encontro, Em busca de mim próprio E mais ninguém. E responderam-me, Nas linhas tortas da descrença, Lá do cimo do divino, Que a desgraça entornaria Sobre minha face! Então... eu comecei a viver da noite E da alucinação que a solidão dá... Comecei a ouvir vozes, a vaguear nas ruas E subia sobre mim um impulso de escrever Tudo aquilo! Deixei de ter horas, de ver o tempo a passar! Deixei para lá a sociedade, as injúrias! Larguei tudo (Ah, se vocês soubessem!) por nada, Chorei no intermédio sofrimento Que o destino traçou! Deixei o amor-próprio numa cave funda... Deixei de querer viver, ia lasso pela calçada abaixo Quando me vias, e eu sorria indiferentemente Para não parecer mal, para não veres realmente O que eu estava a sofrer! Se um dia tudo acaba, E não nos afrontámos com esse fim, Porquê o meu...

Louvados ensinamentos

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Quer o Senhor que o homem Não trave batalhas, não se esvaia em sangue, não tenha dor, Porque a vida foi construída com o ideal de paz e amor, Não de ódio e de sofrimento. Quer que nos amemos, Que colhamos o fruto das árvores, lavremos a terra juntos. E assim, felicidade haveria, porque seríamos todos iguais, Sem a cobiça defronte dos nos olhos. Mas já lá vão muitos anos desde o pregador. Já se travaram batalhas sangrentas pelo egoísmo de um qualquer imperador, Já muitas vidas foram tiradas sem justiça, Já as mulheres em vão rezaram para os filhos não partirem, Quando, tempos depois, aparecia o mensageiro Como quem é o que carrega a notícia de morte. Depois as lágrimas, os gritos sufocados de desespero... o filho partira cedo demais... Qual é o Senhor que prega a paz, mas que, no seu mundo, Tem gládios, cobiça desmedida, morte como meio para atingir o sonho? O homem é o produto inacabado e indesejado pela natureza. Paz? Nunca existiu. Álvaro Machado - 17:20 -...

Mais uma que caiu

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Cai e fica caída, a folha caída. Cai, fica esquecida, tão esquecida pela vida. Levanta, iludida, levantada nunca há-de voltar. Continuará a folha perdida até o Outono findar. E todos os que aqui passam, passam, fingem, esquecem, que um dia assim também acabam e assim todos o merecem. Álvaro Machado - 12h00- 31-10-2013

Fúnebre lição

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Esfriaste-me quando mais precisei De usar o teu fogo ardente. Perdi-me por entre esta gente, Que também por abandonar acabei… Fiquei-me pelo esquecimento. (É-me destino inevitavelmente) Fiquei-me pelo medo desesperante Que a toda a hora dá sofrimento… E vocês… sabem tão bem viver… Sabem tão bem abraçar a felicidade… Um de vós, dos tantos, um qualquer Por princípio toma o fim como continuidade. Mas eu…tenho demasiadas consciências entre mim. Demasiados cadafalsos para não cair. Estou tão enterrado e confuso… não sei como sair… Será este o meu incontornável fim? Álvaro Machado – 22:31 – 25-08-2013

Cambaleante

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Para onde me vou deambulando, Presente na consciência de ser triste, Quando o meu horizonte nunca existe Nem eu sei por que vou procurando? Vagueio entontecido quando não sei que rumo tomar E fecho toda a mágoa de viver numa noite distante, A passo que, sombrio, se me faço almirante Quando o rumo é cambalear... Não tenho, assim, por que viver Num caminho já há muito traçado Se me sinto tão desolado Foi por que me vejo a alma a perder... E toda a alma que assim escrever Como que sentido tudo a desabar Pensará que só é preciso viver E a poesia deixar naufragar... Álvaro Machado – 20:02 – 05-08-2013

Alvorada

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Tirem, tirem-no do abismo, Senão ele cairá. Coração que sempre tomará Verdade em seu cismo. Cessem o estado masoquista, Pois vida nova está à vista. Foi profunda escuridão, Será leve, sem ingratidão...  Tomem, tomem-no de bondade, Se pelo seu sentir se criasse o mundo Ninguém cairia no abismo profundo Porque o mundo todo era de felicidade. Dêem a vocês mesmos Um trago do meu ser Até que, ao anoitecer, Todos nós sumiremos.  Álvaro Machado – 22:09 – 18-06-2013 

Livre

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A liberdade que é sofrimento. A liberdade que é distância. - Que os livres são os que daqui partem Para a liberdade. Mas estar na vida é não estar... O fim é de novo começar... Se dentro de mim espelha-se a tristeza leviana - Leviana, porque nem é profunda, nem perdura por muito tempo - Devo à liberdade pouco coisa. A vida emerge das profundezas da morte, Mas quem coabitamos é o cadafalso: Estamos sempre entre o tudo e o nada, Entre a vida e a morte, constantemente. Livre pouco é o que diz que é livre. Porque a liberdade traz sofrimento, traz distância... E poucos escolhem caminhos difíceis e nunca certos. Viver é tão pouco para a liberdade. Álvaro Machado – 14h00 – 03-06-2013

Noite de fé

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Encobre-se na noite toda a verdade: A sorte está entregue ao vento da saudade, Perco os sentidos e deito pela janela fora Tudo o que fui, outrora. (Talvez a vida não tenha sido feita para mim...) Escorrego, pelo chão, destroçado, Até vir deus, que me tem abandonado, À espera que chegue ao fim... Sento-me no chão e oiço a morte ranger. Sento-me horas a meditar o que não pude ser, O que não consegui ser, e a chuva responde Que um homem nunca se esconde Nem em solidão histérica nem em mares profundos, Mas eu, que sinto outros mundos, Por que razão me abandonam E a mim não se juntam? Hoje a minha voz tem fé E as minhas palavras têm Deus. Se mais caminhos não encontrar, Que haja fé para me orientar Até que finalmente o juízo final Chegue para me levar... (Talvez ao partir a dor possa acabar, Porque nenhuma encontrei igual...) Álvaro Machado – 02:36 – 01-04-2013