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O presente.

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Nunca espero por ninguém Mas... as ruas por onde passo estão desertas, Que viva alma não se vê nelas. Porquê? O comércio estagnado, o povo lívido Que não ousa nem sair de casa? Disse eu ao meu tio, na expectativa. E na expectativa continuamos, calçada abaixo, De poder ver rostos, cruzar-mos com alguém, O que não posso deixar de achar natural, Não vos parece? Mas não... de maneira nenhuma são normais estes tempos. Por lá, esses do poder, manhosos de fato e gravata, Deixam-nos a percorrer o ermo. E vai tornando-se, o comércio cheio de vida, num silêncio profundo Sem ninguém que o percorra. Álvaro Machado - 16:43 - 08-03-2014

Pavimento

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Acordo como o sol de hoje: Claro e cheio de vida para dar E a minha vontade é de iluminar Toda a gente, hoje. O meu sol é, ainda assim, diferente: Gosta mais de dar do que receber E até ao meu entardecer Só vejo sorrisos de gente. Os pavimentos da rua enchem - O que vejo são transeuntes felizes Intercalados pelo jardim que preenchem. As árvores passam a dar sombra ao amor E o vento que passa deixa-me com a saudade De ser a chuva que caía sem felicidade. Álvaro Machado – 12:54 – 23-02-2013  

História ou lenda...

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Um dia todos me lembrarão Não pelo que fui em vida, Mas pelo que fui depois dela. E, nesse dia, caso ele venha, Quero ser relembrado ao acaso, - Relembrando em todo o caso - Andar pelas ruas e estar em todo o lado, Andar pelas lojas como se de naufragado Se tratasse um homem já de si esquecido. Um dia todos me recordarão, Não pelos feitos que fiz como homem, Mas pelas palavras que escrevi como sonhador, Que verdadeiramente sonhou além, Que verdadeiramente pôde ser alguém Não relembrando porque foi ninguém. Álvaro Machado - 21:28 - 21-01-2013