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Olvidar na hora morta

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Olvida, defronte, o inda vermelho do poente que magistral e brilhante contemplá-lo, nunca mente... Mas dêem-me um momento, irmãos, um momento somente!... Onde vêem arte se o que há é fingimento mão morta, cabeça cortada, alma presa à corrente? Sim... escutamos o silêncio do pós-poente, além-olvidado, pois não há mestria nenhuma em sofrer pelo passado (estarei, nestas horas de tédio, esquecido do real?) do porto, ainda porto, do porto desencontrado... Poesia obscura. Soltos versos, funestos, inócuos, absurdos como afinal sois todos vós, de poesias baratas no bolso do lado, romances escritos por romancistas surdos... Ah, causais-me enfado!... Sim, sim, outra vez: são duas da manhã, nenhum de vós me vai ler... Puta que vos pariu. Não quero. Não me vendo às horas badaladas onde quem lê nunca lê no ler para além das frases dadas... Eu cá prefiro só escrever, escrever..., e endoidecer!... (O resto são cartas velhas e cansadas.) Álvaro Machado - 02h03 - 18-05-2016

Decapitação solene

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Do cimo, não sei, perto do cimo, não, nada disso! Qualquer cousa, ali, acolá, mas no cimo não quero! Oiçam, calem-se, mexam-se; a cidade saí p'ra rua não saindo! Entontecido, enternecido, quieto, fiel à morte, mas nunca vivo! Se me revolto, já não me revolto, tudo quis e agora nada mais... Parem! Dai-me a decapitação, senhores! Só eu é que vejo, não, não acredito!  Álvaro Machado - 03h06 - 17-11-2015

Contestação interior

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Na minha contestação interior, na minha revolta, Sinto não estar certo do que vou ser. As águas mexem mal, a vontade anda à volta, E eu já não sei o que quero ser. Posso eu ser apenas anarquista? E não querer ser mais? Eu assim seria feliz com todos e não me revoltaria com ninguém... Ó Destino de águas paradas, por onde me levais? Apenas quero ser e não ser mais do que ninguém... Quando olho cismático para os pormenores que me dão, Sinto como a luz daquele restaurante uma solidão Que só eu e a ela podemos sentir, porque é minha e dela; E o fumo que faz no ar é a razão de eu sê-la. Vou em cismo todo o caminho: quererei em viver aqui? Nesta imitação imperfeita do homem? Não vale a pena, Porque a perfeição está num universo longe daqui - E isso é que me deixa com pena! (Mas isto não é nada, nem contestação deve ser; Contestação é aquele vadio que me pediu para comer... Isso é que é uma contestação interior que posso crer, Porque isto é a...

Revoltosa inércia

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Revolta-se-me a inércia de estar sentado a escrever, Um trecho dedicado aos imóveis objectos E à sombra das palavras que estou escrevendo Sob o candeeiro esborratado. Sinto ardor nos olhos, as mãos estão trémulas, A mente gasta e o corpo lasso... A voz, de brilhante ronquidão, atónita   Nem sabe qual é o comboio a seguir. Paragens há diversas, comboios há infinitos, Carris há excessivamente; Destino é que não há, Direcções é que faltam, vontade é que não existe P'ra seguir nesse comboio. Para onde será levada esta inquietação, esta revolta Que me tem atravessado desde que acordei? Qual é afinal a paragem em que espero E p'ra onde quero ir? Não sei, sinceramente nem resposta há! Há incongruência no discurso, na pessoa! O caminho está tapado, e não há esperança Que ele volte a ser mais caminho... Ó Deus de tantos Deuses - de Antigas Grécias e Impérios Romanos - Traz para esta inerte poesia uma tempestade, um dilúvio Q...