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Maestro Hades

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Raie-me de novo a consciência e fuja de mim o cismo contínuo de que virá morte entre o sonho e a realidade onde em permeio hei-de eu estar... Ocultai-me a praia submissa onde desaguam brutalmente todas as almas que se opuseram à inconsciência... Solte-me um canto cheio de mim em este preciso momento!... Deixai-me erguer do medo que não me deixa ir avante mar!... Pois no fundo em mim detinha uma inocente crença na eterna vida, no eterno deleite imune à tragédia clássica ...

Bom sonho

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Nunca, nenhum sonho, Há-de substituir a realidade Nem é caso para a substituir. O sonho deve ser visto Como uma fantasia Que se fantasiou na noite passada, Deve ser motivo para desejar Ter mais sonhos assim, Manter-se longe de paradigmas, E não para o tornar real. Real é monótono e cansativo. Não existe prazer nenhum torná-lo real. Um sonho é todo uma verdade, Que uns negam e outros fogem, Que os fazem por esquecer E outros culpam satanás por os invadir, Mas, um sonho, um sonho bom, É roçar entre o divino e a perfeição E pertencer ao paraíso De todos os sonhadores... Álvaro Machado – 22:47 – 25-03-2013

Sucessão abstracta

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É quase paradoxal compreender Os mundos de outros mundos A não ser este, porque nem este é Compreensível de todo. Há a sucessão de novos universos A nascer, para além do nosso, E quem sabe não possam estar p'ra nascer, agora, Milhões de esperanças e desejos. É permitido com que sonhe isso, Porque me foi concebido esse dom De sonhar como que esquecendo O mundo em que estou vivendo. E eu deparo-me com a minha casa, Acendendo velas para confraternizar Com os diversos universos que estão para chegar Mesmo que não existam. Dá vontade de os sonhar, porque me parecem impossíveis de sonhar! Dá vontade de os desejar, de os querer ali, naquele momento, Todos eles só para mim! E talvez o custo dessa cismática abstracção Seja a perda da realidade como realidade, Torná-la tão grotesca que já o universo não faz sentido, Torná-la desprezível que já nem nós fazemos sentido! Que o mundo inteiro desabe e nós trocemos dessa situação Com...

Espalhar

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O amor não precisa de ficar aí dentro. Não sufoques só por partilhares contigo A suposta alegria em que tu criaste Um mundo inteiro de bons momentos. Espalha-o pelas ruas e pelo mundo, Mostra-o à água, deixa-o transparecer às nuvens, Eleva-o ao céu... canta de amor o teu amor Como o rouxinol canta de alegria. Torna-o momentaneamente real E extingue outros sentimentos; Ah, esquece os pressentimentos Que não há-de passar disso! (Quem viu o rouxinol poisado na árvore Nunca mais verá o rouxinol poisado, Ele levantou voo com uma alegria De quem esteve sempre a cantar...) Álvaro Machado – 23:43 – 03-03-2013

Mestria alucinada

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Descortina-se um amor, salvo o ópio, Diante da janela em que passam pessoas Todas elas diferentes em modos e gestos E diferentes em sentimentos. E parto da ideia de querer algo para escrever Durante a inoportuna tarde de cólera, Mas ela, tão devastadora como real, Incomoda-me de sentir. Alucina-se-me a hora de partir para bem longe, De partir: subir a Vénus e explorar-lhe o cheiro, Descer ao amago e lutuoso averno, perder-me No canto mais magistral de todos os cantos! E quem me diz que alucinar é para loucos? Quem diz que os loucos não têm amor Que se descortine no próximo acto? Quem ousou dizer-vos tal coisa? Álvaro Machado – 20:54 – 03-12-2012