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(in)definida viagem

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quero como quem quer uma coisa qualquer sem sabedoria alguma no seu viver quero como quem quer esta ou outra paisagem ao amanhecer ou então mesmo nenhuma (é nefasto assim querer) quero como quem quer ousar sem ousar, crer sem crer até que o sol doirado suma ou a lua o faça desaparecer e na ida, apressada dizem, seja tudo neste passar indiferente Findo ou infindável, todos se afastem Porque a vida é uma corrente Pobres somos nós - somos gente Álvaro Machado - 21h00 - 02.03.2017

Contestação interior

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Na minha contestação interior, na minha revolta, Sinto não estar certo do que vou ser. As águas mexem mal, a vontade anda à volta, E eu já não sei o que quero ser. Posso eu ser apenas anarquista? E não querer ser mais? Eu assim seria feliz com todos e não me revoltaria com ninguém... Ó Destino de águas paradas, por onde me levais? Apenas quero ser e não ser mais do que ninguém... Quando olho cismático para os pormenores que me dão, Sinto como a luz daquele restaurante uma solidão Que só eu e a ela podemos sentir, porque é minha e dela; E o fumo que faz no ar é a razão de eu sê-la. Vou em cismo todo o caminho: quererei em viver aqui? Nesta imitação imperfeita do homem? Não vale a pena, Porque a perfeição está num universo longe daqui - E isso é que me deixa com pena! (Mas isto não é nada, nem contestação deve ser; Contestação é aquele vadio que me pediu para comer... Isso é que é uma contestação interior que posso crer, Porque isto é a...

Miragem.

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Tenho vontade de ser a miragem e o precipício, E de não seres tu a luz pequena que dá vida À minha alma, a verdade que tem sido lida Nos versos do eterno vício Mas eu sonho ser mais do que o mundo, E por isso não sei o que é pertencer Às coisas normais do normal amanhecer E ao Mar e ao seu fundo... Tenho vontade de ser mais que a miragem, Mais do que o precipício e ir mais além Do que o ser que quer e não tem. Vontade é o sonho incontrolado de não ter. Vontade é sonhar ser-se miragem e morrer-se Miragem que não soube ser. Álvaro Machado – 14:35 – 01-12-2012

À procura de viajante

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À procura de um laço ou de um sinal, Algures em algum canto de alguma esquina, Esperando ou ficando a esperar, Por alguém que se junte a mim nesta viagem... Ela será atribulada, se o já não é, e quase impossível De ser traçada em conjunto, quase. O seu fim nunca saberei, nem sei se será junto de quem espero... Sei apenas que será atribulada e apenas minha. Será minha, minha de quem não é ou de quem não a tem como sua; Foge-se-me a arte e a vocação para procurar nos cantos Do mundo alguém parecido com quem tenho sonhado, Com quem tenho esperado impacientemente!... A viagem é mais triste do que qualquer outra, É mais um caminho para o fim e para o que é triste Do que um caminho ou uma passagem para a felicidade; Todavia, viagem dos meus sonhos!... Eu, que não findo e que não desespero, continuo em busca, De um sinal ou de um laço, algures em algum canto sublime!... Espera, figura dos meus sonhos! Estou a ver-te agora! Vejo-te no beco...

Ar de não ser

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Eu não sou quem quer viver de luxo e de ostentação, Eu não sou quem quer o mundo e a imortalidade, Eu não sou quem sonha com perfeição e beleza, Eu não sou quem deseja, quem exalta... Apenas quero para mim um dia calmo onde possa escrever, Um sol radioso para que possa descrever, um Mar para que possa cantar!... Apenas quero estar sozinho e escutar a natureza de um alto qualquer, E estar perdido dentro desta paz de alma!... Porque eu fujo do que é normal, do paradigma dos transeuntes Que todos diferentes, todos iguais, falando dos mesmos temas, Vestindo as mesmas roupas, tendo as mesmas alegrias e tristezas, Sentido os mesmos devaneios por motivos iguais... O ar que eu respiro não é o de agora; é o ar de águas passadas, Em que sozinho era feliz - agora, nem assim sou - infindavelmente... O ar, o ar, o ar! O ar das árvores, o ar dos abismos, o ar de ver-te! Meu Deus de súplicas divinas, porque não me acompanhas? Deixem-me ser quem não que...