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Noite de fé

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Encobre-se na noite toda a verdade: A sorte está entregue ao vento da saudade, Perco os sentidos e deito pela janela fora Tudo o que fui, outrora. (Talvez a vida não tenha sido feita para mim...) Escorrego, pelo chão, destroçado, Até vir deus, que me tem abandonado, À espera que chegue ao fim... Sento-me no chão e oiço a morte ranger. Sento-me horas a meditar o que não pude ser, O que não consegui ser, e a chuva responde Que um homem nunca se esconde Nem em solidão histérica nem em mares profundos, Mas eu, que sinto outros mundos, Por que razão me abandonam E a mim não se juntam? Hoje a minha voz tem fé E as minhas palavras têm Deus. Se mais caminhos não encontrar, Que haja fé para me orientar Até que finalmente o juízo final Chegue para me levar... (Talvez ao partir a dor possa acabar, Porque nenhuma encontrei igual...) Álvaro Machado – 02:36 – 01-04-2013

Entre a distância do homem

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Tão longínquo é o homem de si próprio, Que quando lhe desvia um olhar, e o observa, Dá a instância fulminante de desespero e percepciona-se A real distância de si para si. Pensando bem: se o é realmente distante, porque há compaixão? (Eu sinto compaixão por quem me cruzo, possa ele ser o mendigo Das minhas noites ou o artista dos meus dias; somente há lepidez Quando caminho peculiarmente dentro de suas mentes) Nós devíamos ser a proximidade do amor de um abraço caloroso, De um saudoso beijo sem época, de um grito avernal aos deuses! Nós, homens e mulheres, poderíamos ser a apoplexia irónica De um mal-estar grotesco, e aí talvez houvesse proximidade! E ninguém faz da proximidade um afecto, e por isso somos a distância Dos afectos impiedosos, dos sentidos iludidos e de amores - o sentido É de que amar nos perturba a acção - quase-sentidos de não sentir. (Porquê a compaixão no longínquo homem?) Longínquo homem, por que razão és frio como o ...

Profundidade

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É tão belo escutar o fim do rio E ser além o cessar da vida... Como que feito observador Contemplasse aquele fim... Contemplar o dentro estando de fora, E sendo esse longínquo que vê Contemplado o perto de sentir Que pode estar sentindo... Mas não, não chegando a esse patamar, Que é suspiro insensato do que respiro, Sou todo feito contemplador em estado contemplativo Que não sabe o que olhar... Mas se o soubesse o que me dirias, ó voz de artista? O que farias se um dia fosse considerado génio? Coisa nunca achada de verdade, feita ilusão À árdua mentira no que há mim... E é tão belo escutar o rio e o seu fim Como que seja mais que um cessar - o que espero, o que quero esperar - Estar sentado de corpo caído E tudo isto de belo imaginar!... Álvaro Machado - 04:23- 10-11-2012