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todos no poema

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Eu sou de todos, sem mais ninguém.  Sou do universo à noite, rodeado de dúvidas, Sou do dia na manhã, com a brisa a escapar-me das mãos, vai e nunca mais vem, Sou das estrelas cadentes que tiram vidas...  Sou da réstia de esperança que esta lá fora, memórias que sobressaidas Tornam este quarto tenebroso e além vós, Além paisagens, além snobes que se achem,  Além dizeres e não dizeres, contos e não contos: Afinal sou eu não sou?  Sou eu de permeio, sou eu lá trás, aquele senhor até o caminho apontou,  Sou eu ali em cima do balcão, ébrio, a regozijar-me por ser um artista falhado,  Por quem ninguém se tem importado?  É não é? Sou de quem é ou de quem não é? Sou-me pelo menos para mim próprio?  Sou o almirante no meio do mar a seguir um caminho que já havia sido navegado?  A bússola que me deram é que o traçou E eu segui-o; o almirante nunca contestou Nem para onde ir nem com quem ir...  Sim, eu sou estes senhores todos. Sou um espelho de v...

Universo que espera

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Sei que tudo está à minha espera. Que o universo está no infinito Da minha voz e dos meus sonhos E vai adiante, a multiplicar-se O sentimento que é grande Como um Deus. Por mim a força do mar E a luz do astro-rei Se concentram, Brotam em força transcendente Pronta a derrotar o conformismo Que sustem o mundo. Irei escrever os versos sublimes Que o meu coração tanto reclama. Tudo me espera. O mundo inteiro! Enchem-se as praças de sensações, Aves que pelo céu voam alegres, Ruídos dos carros deste século Sem chama. Mas eu subo a esta mesa de madeira E digo-vos que este sou eu, Sem medo nenhum da verdade; E sei ter a consciência que a morte é um desfecho Do mais natural pensamento concebido por Deus. Aqui em cima sou livre. Tenho a alma inavegável. E os sonhos vão conquistar o mundo. Ele espera por mim! Álvaro Machado  - 23:19 - 18-03-2014

O presente.

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Nunca espero por ninguém Mas... as ruas por onde passo estão desertas, Que viva alma não se vê nelas. Porquê? O comércio estagnado, o povo lívido Que não ousa nem sair de casa? Disse eu ao meu tio, na expectativa. E na expectativa continuamos, calçada abaixo, De poder ver rostos, cruzar-mos com alguém, O que não posso deixar de achar natural, Não vos parece? Mas não... de maneira nenhuma são normais estes tempos. Por lá, esses do poder, manhosos de fato e gravata, Deixam-nos a percorrer o ermo. E vai tornando-se, o comércio cheio de vida, num silêncio profundo Sem ninguém que o percorra. Álvaro Machado - 16:43 - 08-03-2014

Outros.

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É um insulto à alma - aliás, à compreensão - Sentir saudades de quem não conheço. Velar por elas mais do que a mim, Crer-lhes bom porvir... É descabido e desinteressante Pensar assim e escutar vozes Que nem sei de onde vêm nem sei se existem. E de repente partem-se para o horizonte... Quem está dento de mim é prolixo. Caminhos que não levam a lado nenhum, Senão o olhar as dúvidas das pirâmides E nos universos que se propagam... Álvaro Machado - 22:31 - 15-08-2013

Vozes inúteis

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Não os conheço; não existem. E, ainda assim, vozes encharcam-me De os pensar, se os penso, com histórias Inúteis tanto como quem as conta. São a paisagem intemporal dos tempos derrotados, As esperanças sem necessidade de as realizar, Os sonhos fictícios de os achar realizáveis estupidamente! Se sonho, também? Sonho e vivo de sonhos que vou sonhando! Não os sonho só porque tive de adormecer e porque é bom - Nem tudo o que sonho é enquanto estou a dormir, nem tudo quanto sonho É enquanto fecho os olhos... - Eu sonho-os sobre a adversidade real e amálgama da vida! Não existem; não os conheço. Se não existem são felizes e não pesam, Não têm de escolher entre o bem e o mal Ou ficar no meio a pender para um deles. A vida é doer Só ao viver E enquanto os achar na inexistência Não os quero conhecer!... Álvaro Machado – 03:07 – 01-04-2013

Cidade sem gente

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  Em Paris não há conhecidos, Ter um bom amigo faz parte da antiguidade, O bonito desta cidade são paisagens Que não lembram gente. Aqui tenho certezas que nunca tive, Intercepto verdades que nunca interceptei, E com nada me pareço desde que vivo aqui - Sinto saudades de casa. Nunca recusei dar uma esmola nem desviei um olhar Aos que passam por mim, mas isso não faz de mim Melhor ou pior pessoa, faz parte da personalidade E da empatia que sinto pelos parisienses. Eiffel roça no céu e está cheia de saudades... (Pode até nem pertencer a Paris...) Eu subo-a, degrau a degrau, até chegar ao topo, Mas perco a noção da vida E caio com brutalidade, desperdiçando a cidade que me acolheu, Sem me despedir decentemente, Contra o chão duro e frio Que nunca foi pisado por gente.

Conversas

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Com a presença da chuva Agoniza, a conversa, entre nós. Sobressaem as mais indesejáveis Conversas, entre nós. Talvez porque eu já não desfruto Dos momentos em que mais teria razões Para desfrutar, junto a quem está junto de mim. E por que o não desfruto? Eu não posso, nunca, responder a isso. A resposta está num patamar acima de mim, Muito mais acima de mim, onde ninguém chega - Está acima das nuvens e do espaço. "O melhor era que nem tivessem nascido" - disse uma voz. Uma voz certa e profética que ensina à humanidade Que este mundo não tem nada a não ser a cismática ideia Do mundo continuar sem nós... Depois a chuva cessa e a conversa abandona-me. Orionte já se foi e há-de continuar triste como a noite. O que agoniza são pensamentos inquietantes Que nem deveriam ser pensados em mim! Que gargalhada impetuosa: deixem-me rir. O que é a vida a não ser uma ironia? Quantos vão e quantos mais estão para vir E hão-de p...

Pavimento

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Acordo como o sol de hoje: Claro e cheio de vida para dar E a minha vontade é de iluminar Toda a gente, hoje. O meu sol é, ainda assim, diferente: Gosta mais de dar do que receber E até ao meu entardecer Só vejo sorrisos de gente. Os pavimentos da rua enchem - O que vejo são transeuntes felizes Intercalados pelo jardim que preenchem. As árvores passam a dar sombra ao amor E o vento que passa deixa-me com a saudade De ser a chuva que caía sem felicidade. Álvaro Machado – 12:54 – 23-02-2013