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Interceptado por Deus

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O quarto é sombrio, é pequeno. E o sentimento que nele se cria É prolixo, onírico, magistral. Passa a ser a minha vida, a noite infernal Tão assim só me queria... Constrói-se em mim uma sensação Que leva o universo à sua formação. Constrói-se-me tudo enquanto tenho uma crescente loucura, Dentro de mim circundam astros, morrem, nascem, multiplicam-se! E se eu ousar desvanecer à próxima neblina, Desvaneço com a poesia no meu coração. Deste quarto nasce todo o pensamento, toda a certeza Que o que virá no porvir será melhor. Acabarão os pesadelos, toda aquela vileza Que sempre esteve bem vivida, sempre bem imbuída de dor Que ninguém entendia porquê. Tudo é p'ra mim extensivo, cansativo, deixa-me lasso o corpo! Deus, defronte de mim, num outro pensamento e num outro quarto Intercepta-me, deixa-me ouvir a sua voz e fico embriagado! Embriagado flutuo entre as dimensões todas que constituem o universo, Transcendente, irreais, impossíveis, completamente loucas! ...

Invasão divina

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Invadem-me, no sonho, deuses das galáxias moribundas, De um suspeito ar desconhecido e imaterial Onde suas mãos transcendem toque magistral Por meio de elegias desencantadas Que, entre um sopro, uma cantiga de amor, Um desgosto avassalador Impede que o meu sono se comece a manifestar Por gotas caírem num sentido de não findar... Tremenda insónia vai agreste do meu quarto ao Olimpo, Que ceptros e bastões não bastam para que o céu seja limpo. Têm forças, outras mais gloriosas, estes deuses que transcendem Outros deuses, deuses da terra, que contra estes tudo perdem. E volto-me para retomar o sonho, que mais parece pesadelo. Esqueço por que me invadem estas noites de sono interdito - De volta à noite calma, inquietante, que ouve o que tenho dito, Só ela sabe o que quis ser e porque nunca consegui sê-lo... Álvaro Machado – 22:55 – 22-04-2013