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A mostrar mensagens com a etiqueta Perdição

Total perda

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Perdi tudo... Mesmo esse nada se esvaiu de mim... Tornado escombros, vagabundo... Aqui gelo; e que sou? Em multidões escondo-me, mas por dentro morro. Toda a crença é cavar mais fundo na minha cave de inércia... Perdi o controlo... Tornei-me num deus frio, não sabia... E quando cumprimentei o barbeiro ao pensar nisto, ele sorria... Pois agora solto um breve suspiro ainda antes de partir... Se soubessem o fardo que carrego e, inda assim, nunca o tiro... Só quero apagar o cigarro e sorrir... Mas agora é tempo perdido - o que perdi, é fugido, e o que tenho é efémero para voltar a viver. Álvaro Machado - 20:38 - 30-05-2014

Alma nocturna

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Solto, à noite, o instinto De andar por entra a sombra, perdido, A deambular sobre o que sinto E parece que não foi sentido… Ando entrelaçado com a solidão alucinante Quando passo por um velório, defronte. Comoveu-me ver tantas almas a velar Quando nem a minha hão-de chorar... E por mais que eu escreva, o que serei eu? Por mais que sinta, por mais que seja... Tudo terá destino seu. O decurso da vida será sempre o que aconteceu - Cada momento, cada momento que se almeja E quando se vê, já desapareceu. Álvaro Machado - 00:36 - 07-11-2013

Mais uma que caiu

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Cai e fica caída, a folha caída. Cai, fica esquecida, tão esquecida pela vida. Levanta, iludida, levantada nunca há-de voltar. Continuará a folha perdida até o Outono findar. E todos os que aqui passam, passam, fingem, esquecem, que um dia assim também acabam e assim todos o merecem. Álvaro Machado - 12h00- 31-10-2013

Miramar

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Está distante... E nem chega a ser muito distante... Fica na intermitência... E nem vale a pena ter saudade, O navio não espera por mim. Se esperasse, ganharia fôlego... Sou alma-miramar... Que nem sabe quem sente... Será destino andar perdido no alto-mar? Ah, mas porque me ouso sequer isto perguntar? Vale a pena viver no Outono. A brisa deixa-me a flutuar, E ver as borboletas e os pássaros a voar Deixam que o momento fique comovente!... Álvaro Machado - 01:46 - 07-10-2013

Sem nunca perguntar

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Sempre turbulento o meu olhar... Sempre sofrido o meu sentir… Que caminho hei-de, então, tomar Se eu não sei por onde ir? Como acordo sem saber, Deito-me sem perguntar O que me irá acontecer Quando mais não poder navegar… Navegar é para mim toda a essência Que faz de um homem, um homem. Tantos que, como eu, vãos por excelência Nunca sabem porque morrem. Álvaro de Magalhães – 18:18 – 14-08-2013

Questão em Deus

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E é por Deus que entrego o meu coração às trevas - Àquela enchente de corpos a se queimarem por castigo, Sempre em sofrimento, sempre pior do que antes... Para esses, a dor é o pão nosso de cada dia. E é por Deus que o meu percurso tem sido chorar. Por mais que passeie, o coração só quer fugir De um mundo inconstante para se repoisar E esquecer a dor que tem vindo a sentir. Apenas quero seguir viagem sozinho; nenhum Deus comigo... Nenhuma perseguição nefasta de bons costumes... Qualquer boa intenção é uma alucinação do calor, Qualquer sorriso é o desejo de todo o mal... Por que não vejo nenhum sinal de bondade em viver? "assim seja!" - e, afinal, somos todos iguais, todos do mesmo, Porque a raça é só uma, todos diferem, todos se misturam, E nenhum é benevolente consigo mesmo. Álvaro Machado – 17:58 – 20-05-2013

Perdidos fragmentos

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Temo por vos recordar Em que outros tempos foi esquecer Junto ao Tejo, com a cabeça a sonhar O que o corpo quer crer ser. Ele suplica à alma o que alma sofre Enquanto divagam nas recordações. E brisas do rio, fiéis às navegações, Guardam-me a viagem num cofre... A prisão da minha vida é estar em liberdade - Parece que estarmos naquele diálogo Não serviu para concretizar sonhos que sonhamos, Os mesmos em que, naquele momento, acreditamos... E porque este fim de tarde partiu está claro o horizonte: É seu rasto em viagem, ocultado por um monte. Ah! Mas onde está a esperança de o fazer recordar Se é tempo de acordar? Álvaro Machado – 20:43 – 13-05-2013

A conversa da noite

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É sublime conversas noite adentro, horas a fio, Porque quem conversa não sai do espaço em que está, Mas voa, e voa para outro tempo que não o de cá. É produtivo falar quando se pensa e se vive no falar, Mas é-o porque montámos tudo junto do abstracto: As mesas de jantar, os castelos da antiguidade, Os planetas do futuro sensacional, o presente português e degradante (Anti-revolucionário e pacato com tudo); e depois disso o frio de estar noite E de termos de terminar esta conversa. Ele vai embora, vai naturalmente para a sua vida habitual e rotinada Com família e com uma lareira que lhe dê conforto e o aqueça; E eu vou embora de costas voltadas p'ra felicidade, Vou de corpo e alma num profundo isolamento e vou acompanhado, Mas pelo frio e pelo vazio, pelo invisível e pela sombra, Pelo som de nada feito de som ensurdecedor... Para onde vais? Para onde vais eu não o sei. E a que ritmo vais? Talvez vá ao ritmo deste ritmo garbo e ao me...

Sacrificado

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Não me foi dada a esperança De um futuro p'ra crer E ainda há uma herança Que me espera receber De braços abertos, estendida Sobre o horizonte. Ai, que estou perdido p'ra sempre! Ai, que a alma está perdida! Vagamente me falam que nasci E sou habitante do planeta terra, Mas como hei-de garantir que vivi Se mais tarde alguém me enterra? São perguntas a que jamais hão-de responder E com que ninguém se reconforta. O meu acreditar são os sonhos que sei ter Quando minha alma se descobre morta. E tu és o rapaz nascido dos sacrifícios Em que ninguém se há-de nunca importar... Ah! Entrega-te aos comícios Com quem nunca há-de te amar! Cruza os braços e desiste desta dor. Viver é só para quem tem um amor. E tu és o rapaz que nasceu para se sacrificar Quando ninguém te soube admirar... Álvaro Machado – 20:49 – 30-01-2013

Encontro

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Procura na saudade um termo Que não vejas, que não toques, E que lhe sintas a forma do rosto Que nunca mais tocarás Acha na saudade o resto do corpo Que não recordas (será que o recordas?) E sente-lhe a ternura, o encanto que tanto adoras. Ele nunca mais voltará. A carta perde-se de tanto esperar - Uma das tantas que escrevi durante anos a fio - Por quem não sabe onde me encontrar. Quem escreveu soube de sua perdição Muito antes de o procurarem - A si e a sua solidão. Álvaro Machado - 21:14 - 09-01-2013

Perdição

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Durante a noite o vento levou-me a alma para um lugar Escondido de todos estes lugares do mundo, de todos os cantos Estrelares e de todas as preces que me possam dar Para fazer de mim um quarto de encantos E eu olho-te altivamente, ó céu mais obscuro que a escuridão, E espero-te impaciente para que desças sobre este turbilhão. Vem que és bem-vindo à minha alma e ao seu invejável mistério. Vem e vê como escorro por debaixo do rio. No meu quarto só oiço vento forte e por vezes exagero. No meu quarto só oiço o desespero. No meu quarto só há Deus, só há alguém abandonado. No meu quarto sou só eu isolado. E há rios, e há navios, e há céus, e há a sensata impressão De estar a ouvir o vento noutro lugar do meu coração. E há noite, triste sentida no quarto, e há sombra, vagueando Como se no funesto quarto fosse pintando, Até que vai surgindo uma tela desfigurada cheia de transeuntes, Uns são tão reais na linha que liga loucos e inocentes, Ou...