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Sem obstáculos

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Enquanto está longe, Porque só longe pode estar, Toda a vida é para apreciar. Todo o caminho é para seguir. Toda a esperança é para acreditar. Todo o meio é para erguer. E os pássaros só têm que voar, Porque o futuro deles é esse. De verão em verão, de sol em sol, De paisagem em paisagem... E seguir sempre, Sempre em viagem... Álvaro Machado - 19:39 - 19-06-2013

Nada igual a si

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Sol que nasce e que nos ilumina, Lua que vem e que nos abandona, Tudo tem de vir, tudo tem de partir, Connosco nunca pode ficar. O que vimos é apenas por pouco tempo; Nunca vimos da maneira que anteriormente havíamos visto, Nunca sentimos como havíamos sentido outrora - Nós próprios não somos quem éramos. Tudo vem, tudo vai, como nós Que não somos mais que uma paisagem Cheia de recordações e de imagens Inerentes à alma. Que se leva, afinal, desta vida? Álvaro Machado - 00:38 - 10-06-2013

Verde, Cabo

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Cabo Verde. Verde, o cabo. A cor esverdeada do sal, O sal dentro do mar do cabo E circunda, à volta, o peixe Sem sal, de o não estar imerso E com saudades do salgado Mar que preenche o cabo De verde sal e de cabo encantado. O meu amor respira ar tropical. Ar de ar, tropical de tropical. Palmeiras entes, grãos de areia por de baixo, Ah, as saudades de água azul e romântica! Esta ilha é bela, mas o belo ilude e engana, Porque a paisagem preenche o cabo de bondade E as pessoas infectam de maldade, O cabo verde do mar em sal. Ver Cabo Verde fez relembrar-me Do outro cabo, do cabo de mais esperança, A esperança que fez do cabo uma esperança E o cabo fez de si um cabo de boa esperança... Álvaro Machado – 03:54 – 01-04-2013

Vozes inúteis

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Não os conheço; não existem. E, ainda assim, vozes encharcam-me De os pensar, se os penso, com histórias Inúteis tanto como quem as conta. São a paisagem intemporal dos tempos derrotados, As esperanças sem necessidade de as realizar, Os sonhos fictícios de os achar realizáveis estupidamente! Se sonho, também? Sonho e vivo de sonhos que vou sonhando! Não os sonho só porque tive de adormecer e porque é bom - Nem tudo o que sonho é enquanto estou a dormir, nem tudo quanto sonho É enquanto fecho os olhos... - Eu sonho-os sobre a adversidade real e amálgama da vida! Não existem; não os conheço. Se não existem são felizes e não pesam, Não têm de escolher entre o bem e o mal Ou ficar no meio a pender para um deles. A vida é doer Só ao viver E enquanto os achar na inexistência Não os quero conhecer!... Álvaro Machado – 03:07 – 01-04-2013

Cidade sem gente

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  Em Paris não há conhecidos, Ter um bom amigo faz parte da antiguidade, O bonito desta cidade são paisagens Que não lembram gente. Aqui tenho certezas que nunca tive, Intercepto verdades que nunca interceptei, E com nada me pareço desde que vivo aqui - Sinto saudades de casa. Nunca recusei dar uma esmola nem desviei um olhar Aos que passam por mim, mas isso não faz de mim Melhor ou pior pessoa, faz parte da personalidade E da empatia que sinto pelos parisienses. Eiffel roça no céu e está cheia de saudades... (Pode até nem pertencer a Paris...) Eu subo-a, degrau a degrau, até chegar ao topo, Mas perco a noção da vida E caio com brutalidade, desperdiçando a cidade que me acolheu, Sem me despedir decentemente, Contra o chão duro e frio Que nunca foi pisado por gente.

Utópica vida

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Sou um vazio de pessoa que vê beleza em tudo, Sou uma paisagem sem vida que confunde Se realmente existe este espaço, este tempo, Ou se vivemos apenas o pouco disso. A utópica perfeição é a ironia por que fomos criados. Devemos servidão àquela estrela chamada sol, Devemos olhar cego àquele satélite chamado lua, Devemos amar incondicionalmente a imperfeição, Porque ela é a água que transbordámos todos os dias De lágrimas, de devaneios incompreendidos, de dor! Nunca atingimos a perfeição; ela fica-nos utópica Como se fosse utópico ter esperanças. É ser vazio de pessoa que assisto à beleza que me rodeia E tudo me parece perfeito, único, sensacional! É ser paisagem esquecida que confundo se vivo mesmo Esta vida utópica e intemporal! Por aqui passou o vazio de pessoa e a paisagem confundida dela. Álvaro Machado – 21:45 – 20-01-2013

Paisagem inútil

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Ser inútil paisagem levando uma inútil vida, Em que não consegues passar disso: Levantar-te como eles, andar a passo repetitivo, E saciar magia invisível e toque ignóbil. A tua voz é irreconhecível, tantos a têm; A tua cara não tem traços nem cicatrizes E ninguém faz da vida a inutilidade tua. Só tu és paisagem inútil. Enquanto leio poesia vagueando noutra dimensão, Leio o meu coração e entendo o meu interior Que é tão sozinho por ser tão diferentes de outros. Enquanto leio supero a dimensão. Mas tu não chegas sequer a ter uma dimensão próxima E em ti ninguém acredita; Tu vives inutilmente na onda Que te arrasta em cada passo que queres dar e não dás, Em cada sentimento que anseias ter e não tens... Ó inútil paisagem da minha vida, por que não te oiço? Todo ruído estremece vagamente a tua alma vã... Álvaro Machado – 20:29 – 19-12-2012