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Assim.

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esta dor vem sombria, dolorosa pela amargura das horas entra-me nas veias calca-me o coração dói-me à exaustão ai que dor sem verso sem forma sem nada que a objective que a torne menos baça e estonteante e dolorosa como a que entra esta noite (quem dera. um dia ser mais assim. não me doer a cabeça. não me fingir outro. não me esconder pela porta das traseiras da chuva à espera como em criança...) Álvaro Machado - 02h20 - 14-11-2018

Desventura insensata

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estou entregue ao ranger do vento à gigante onda que defronte se ergue aos dias às noites ao sistema solar longínquo entrando pela janela d'um quarto esquecido estou entregue a uma qualquer força estupenda que consome toda a minha energia vital esvai-me esventra-me corrói-me para o fundo vácuo e a dimensão e a solidão e a insensatez têm como natural consequência o refúgio o desaparecimento precoce de estar assim entregue Álvaro Machado - 20h05 - 19.10.2017

de folha em folha, tudo cai vão

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cai folha, cai em vão cai sempre a cair vai, não escutes o coração que de ti não sabe sair vai pelo chão mergulha nos ermos semblantes que onde estou só fito escuridão vai pela margem dos transeuntes cai folha paradoxal e quase atómica nem de mim sei, por que haveria de ti saber? perplexa e errática e mística por minha vida desconhecer!... Álvaro Machado - 18h50 - 31-10-2017

Fogo-fátuo

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Do cadafalso em dobre Prolixo de mim estou Esta dor onde cobre O coração que naufragou Atónito e de permeio Lendo, conformado, Do vasto sonho anseio Em pequeno passo dado Em noites de luar Tidas minhas por decreto Mais poesia só te posso dar Do imenso vinho reflecto Ah, pesar sim, Mas como prosador honrado Não peses mais senão assim Fiel e à poesia ligado!... Álvaro Machado - 03h02 - 25.06.2017

Poeta dramático.

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Sobre a lua ainda não aparecida poiso meu prolixo fragmento e penso se será merecida a dor do meu sentimento... Momentos após quase esqueço. Indecisão? É tremenda, a linha é excessivamente ténue p'ra que possais pensar dela ao avesso, dados a ela artística e fugazmente... Tão-só respirais; nunca ireis saber como sabe o respirar na alma, repleta de oníricas escadarias... Viver é-vos esperançosamente tido pela inconsciência do vosso ser sem catedrais, sem palácios majestosos, sem covardias, sem viagens exaustivas à consciência onde a lua nunca veio... Afinal, sou apenas um poeta dramático. Álvaro Machado - 19h27 - 08-7-2016

Cave do coração

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Na cave do coração magoado Uma perturbadora e entreaberta porta deixa a dor surgir Por entre a madrugada distante. Eu, envolto nos mais desesperados embalos para a morte, Deixo fluir a escuridão que há em mim - vejo-a expandir por todo o universo Em eterno vácuo... E que só tu, noite de recantos infinitos, Me compreendas e me leves no coração... Porque o resto eu calo e guardo E mantenho gélido... Gélido então, pois a vida me deu sombra e solidão Quando havia sol e alegria; Abriu-me, sem que notasse, uma ferida nessa cave Que eu chamei de coração... Álvaro Machado - 01:24 - 01-05-2015

transparência da alma

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fito, no horizonte largo e ténue, a máscara pouco a pouco a sucumbir; com o cair da noite amarga e lancinante dispo-me às árvores e às estrelas do céu distante nunca sabendo quando irei partir... que vida, que morte iminente, que desassossego! querer o mar, querer a inocência que outrora por aqui passou! tanto ansiar, tanto ir, tanto perder... e aonde no regresso a dor se encontrou não foi fora, mas foi dentro do meu ser!... Álvaro Machado - 23:04 - 05-04-2015

pranto recalcado

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silêncio: é noite, chove e eu não existo. na fé oiço, calo e desisto. estou só, sofro, e é assim que eu quero estar. cubro-me com o vácuo, fito o mar e penso: quero-me ir, quero findar. Orionte - 00:10 - 28-05-2014

Desconexão

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Desta complexa e entontecida noite, Sobra a mão morta Que transparece o estado atónito Do que ecoa baço... E, em redor, um impulso Agiganta o desejo absurdo Para que a razão entre e responda Quem sou eu. (Um doido. Um doido sem nome próprio e sem ninguém para o compreender) Talvez seja isso, talvez. Afinal, qual é o desfecho depois de sofrer numa noite assim? Álvaro Machado - 01:28 - 18-05-2014

noite.

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a minha vida é breve como o vento e vazia como o silêncio do vento. eu disse-te isso. e tudo passou... mas a noite passada trouxe-me o teu flamejante olhar, a doce e inocente voz, e por um breve instante pude ter-te como deus tem o universo. eu devia ficar calado. eu sei. mas eu nasci para dizer tudo o que embarca o coração, todas essas sensações que ninguém entende... é o estar sentado sobre o enternecido luar e suspirar afincadamente... sabes, o normal. o normal ciclo de alma errante - o não ter nada nem ninguém, as raízes espalhadas por aí fora a sofrer intoleravelmente. breve é tudo: eu, tu, todos... mas permite-me dizer que nesse breve instante tenho a sensação de te ver p'ra sempre. Álvaro Machado - 18:13 - 16-05-2014

Prelude

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Aceito-o. Não posso encobrir que nasci para fracassar. Nasci para estar somente na margem Que vê tudo e todos a passar Sem lhes poder fazer paragem… Se ao lado deles, quem sabe, pudesse ser menos doloroso O sentir presente todo o vácuo vasto do universo… Pudesse ao menos o meu eu estar menos disperso Por um brilhante rasgo de morfina deleitoso… Inda é noite, já o estou a aceitar. Aceitar que, se mesmo agora a minha vida fosse deixar, Ninguém ia dar pela minha falta. Só – talvez, talvez pensando bem – esta noite de luar Há-de conseguir entender o que me está a atormentar. Por cima de mim, só a lua está alta… Álvaro Machado - 23:40 - 26.04.2014

Cave do tempo

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Estou na cave do universo E é tão pesada a consciência de tudo o que existe... A alma vagueia aos prantos pela rua da cidade esquecida Onde as pessoas fazem-me ter consciência Que a morte vem, vem lenta, silenciosa, discreta E que, quando vier, virá impiedosa. Levar-nos-á sem dar-mos o nosso último adeus. Parece que nem existimos... Que me resta? Esperar? E esperar o quê? Será que só irei sentir uma rajada de vento E depois caie redondo no chão? Sei lá eu... O que eu sei é que o tempo pouco é. Às vezes andamos pelos atalhos do quotidiano A fugir ao que realmente importa, que é abraçar as pessoas que amamos, Poder dizer todos os dias o quão especiais elas são para nós. Mas o tempo passa. Quer digamos ou não, ele perde-se, nós perdemo-lo... Não volta. Só passou. Era esse o seu sentido, o de passar sem ficar... Agora que eu queria dizer o quanto amo o mundo, tarda o dia, tarda a alma. Passei horas e horas a tentar compreender o incompreensível Para poder afirmar qu...

Lúcido nocturno

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Noite adentro o vento passa, Da lua no alto sentido Suspira o coração pela vida, Por aí se sentir vivo. Do lado de fora, ilumina-se a noite, Tudo é tão puro e tão forte No ser livre e poder contemplar O sentido de aqui estar... Sou um pequeno ponto entre vácuo Ígneo que não se dá por vencido Crê no orbe, no desconhecido Na origem de mim. Sinto-me eu próprio uma noite fria, Um luar visto, mas esquecido; Apenas uma paisagem que retida ficara Sem crença, sem esperança, sem nada. Álvaro Machado – 19:19 – 22-02-2014

Deambulante pela noite

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És tão silenciosa e sinistra. Tão única para eu te ouvir o segredo. Contigo a meu lado, minha alma é transparente. Está nas indefinições e vagueia entre elas, Até que os olhos se erguem às estrelas E entristecem pela distância entre elas e mim. Ando tempos pela escuridão. Mas não me sinto perdido, sinto-me calmo e inspirado. Porque afinal és tu, noite, que ouves meus devaneios, Minhas vãs perguntas, que me conheces como ninguém... Será que existo para lá disto?... Álvaro Machado - 23:49 - 17-01-2014

A indecisão

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A noite despe-me a alma. O sino da igreja faz-me perder os sentidos... E o vento e a chuva e a solidão Faz derrocar as árvores da minha vida. Tão só nas indecisões, nos momentos, no sentimento Que o barco que hoje carrego leva-me A conhecer o inferno de onde minha alma descansará. Mais ninguém se lembrará de quem fui... A noite faz-me crer num fim que é meu e sou meu - Gélido como tem que ser, triste como ninguém quer... E eu penso muito nisto enquanto me sento na noite entristecida Que embala a consciência de viver para a inconsciência do fim traçado... Acabarei como comecei. Álvaro Machado - 21:54 - 23-12-2013

Traçado

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A noite é a solidão de todas as almas. É o precipício em que ninguém quer cair. Nenhuma quer ser só. Morrer só. Cair em esquecimento para sempre. Mas eu escondo-me por entre a noite, Em lugares recônditos mais sombrios Do que a própria noite conhece. E tomo consciência disso Como alma perdida que sou... E de que me vale sentir tanto Olhando a lua, achando sublime a vida, amando outros planetas? Hei-de acabar como comecei: na indefinição eterna de todas as sensações! Um dia isto não será nada e o barco há-de também partir Rumo para qualquer coisa chamada de fim... Álvaro Machado - 22:11 - 20-11-2013

Alma nocturna

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Solto, à noite, o instinto De andar por entra a sombra, perdido, A deambular sobre o que sinto E parece que não foi sentido… Ando entrelaçado com a solidão alucinante Quando passo por um velório, defronte. Comoveu-me ver tantas almas a velar Quando nem a minha hão-de chorar... E por mais que eu escreva, o que serei eu? Por mais que sinta, por mais que seja... Tudo terá destino seu. O decurso da vida será sempre o que aconteceu - Cada momento, cada momento que se almeja E quando se vê, já desapareceu. Álvaro Machado - 00:36 - 07-11-2013

Um sino qualquer...

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Saúda a morte, deixa o tempo a passar, Que a cidade ainda está por acordar... Bem alto, faz-te ouvir, faz-te sentir, Como se a nossa hora esteja por vir... As ruas que à noite me falam, No deserto meu sentido de existir, Nunca sabem por onde andam As almas que ouso vestir... E tudo na vida é dizer nunca, Nunca de existir existindo... Ninguém nos espera, tudo vai partindo, Numa barca levada por qualquer vagabundo... Álvaro Machado - 20:04 - 18-10-2013  

Diálogo estrelar

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Sabes que me sinto sozinho Quando em minha volta a terra está árida? O que me faz logo depois questionar, Se será a terra ou as pessoas Esta falta de sentimento no ar... Sabes que esta noite deixa-me sozinho Só entre as estrelas, únicas interpretes verdadeiras do que sinto, É que o meu sonho continua a mover-se e a girar continuamente Numa espécie da translação anarquista Para o sentimento inócuo. E sabes também que eu detenho um amor pela vida Um tanto diferente, e talvez um tanto superior, Do que estes alheios corações que vociferam com desejo incontido A eternidade, a luxuria, a ostentação, a invencibilidade, o império... Não quero ser assim, sabes? Sei lá eu o que quero ser; sei, em todo o caso, que amo viver assim - Com a natureza e sem regras, com a liberdade e com sentimentos, Com o constante desejo de descortinar o segredo estagnado na noite estrelar... Sei lá eu quem me sinto! Sei lá eu o que sou! Sei lá eu o que é tudo isto, Toda a dimensão esta que não mo diz! Mas sabes......

Desencanto em viagem

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Caminha desencantada, Por ali se vai deixando ir E a sorte venha, se tiver que vir Ou senão que se dê por terminada. Chove na estação… E entre os carris eu desejo estar do lado de lá, (Talvez seja mais feliz do que cá…) Quem mo pede é o meu coração… E, por entre o céu cinzento, O meu ser quer estar na praia. Por lá me têm como barqueiro com talento E eu não quero que isso me saia. Álvaro Machado - 14:58 - 29-09-2013