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A mostrar mensagens com a etiqueta Ninguém

Por hoje acabou

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Hoje ninguém existe. Nem o meio termo nem a saudade, O sol poente e a neve dos altos montes Longínquos como temos sido Acabou agora mesmo de cessar. Hoje toca o sino da igreja Que assinala o nosso fim Estende-se fúnebre pelas casas e pelas ruas E desvanece como que perdido Assim nós o temos sido. Hoje nada é nada. Nós somos como pó no meio da estrada, Somos relembrados, somos esquecidos, Somos uma tempestade e um vendaval, Uma origem e um final... Álvaro Machado - 14:06 - 10-02-2014

Profetas do vazio

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Nada me é estranho nem conhecido. Pertenço só à vida, deambulo Sentindo a primavera, o vento fresco E o caminho da esperança... Sinto-me nem perto nem longe, Pertenço só às pessoas, às saudades, E às mudanças repentinas de tempo! Nunca tive razões para desistir nem para lutar, Por isso, nunca me aproximei nem me distanciei, Deixei sempre que a vida se atravessasse no meio E descesse abaixo de um soalho Para lhe perscrutar segredos intransportáveis, Autos de fé que realmente tinham razão de ser, Porque Deus não gosta que contestem. "Isola-te do mundo e vem ouvir toda a verdade" - disse uma voz, antes de Cristo, para Maniqueu. Maniqueu aceitou e desapareceu, Aceitou desmoronar como um muro, Saltou sobre esse muro, desvendou o mistério, Conheceu a voz pujante de Deus E percebeu que não ser de ninguém É o passo mais livre que podemos dar. Como Maniqueu, eu também não busco respostas Nem sufoco o coração de pergunt...

Em silêncio com a alma

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Estou longe e ninguém me ouve Nem eu me consigo ouvir, Que o destino saiba sempre Onde vou antes de eu ir. Não existo, não sou ninguém, Nem eu mesmo consigo sentir-me alguém, Se o fosse não estaria aqui a escrever O que não consigo ser. Perscrutar-se silêncio é consequência De não-existência E ninguém que exista pensa no silêncio, Se o há realmente ou se há somente vazio... Estar longe pode não representar distância. Pode ser um avanço ou retorno no tempo, Um regresso ao passado, um pulo ao futuro, Ou, talvez, nem distância se possa representar. Quem sente o silêncio, quem sabe que ele existe A este mundo não pode pertencer, E eu só dou pelo silêncio à noite Quando ninguém me consegue reconhecer. Álvaro Machado – 20:53 – 23-03-2013

Existência

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A existência existe? Por que nunca conseguimos isolar a existência do nosso corpo E torná-lo inexistente como se nunca fosse uma existência? Por que existimos? Se não fossemos ninguém, não éramos ninguém. Só nos pertenciam as partículas do nada e de nada. Seríamos só isso; seríamos recônditos de existir E nas margens havia algo mais... O facto de eu existir é uma sensação de existência - Não é, nunca poderia ser, a certeza de existir. Se há a dúvida de existir não existimos na totalidade Como se o fosse e não fosse simultaneamente... A existência é o tédio a perdurar num teatro: As cenas, que fazem entrar e sair humanidades; Os actos, que trilham análogos percursos E os monólogos cismáticos enquanto fumam... Se eu vos dizer que está numa peça de teatro Toda a verdade da nossa raça, acreditariam em tal? (A resposta não existe) De mesmo modo, isso é não-existir Senão quando se é céptico! Existir é o sopro do vento: sempre com a m...

Ser eu

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Um dia eu fui apenas eu. Os sonhos reais e a vida irrisória Um dia consegui sair em vitória E tudo é e foi meu Se escorriam lágrimas eram demasiadas. Os sonhos eram as nossas caminhadas Pelo Destino conhecido e pelas cartas Que te escrevia em horas fartas Mas isto são palavras de alguém Que não sou eu... Estas palavras são de ninguém Que quis o caminho meu... São as palavras retractadas de dor Que vivem junto do sonhador... As palavras de um grande amor Que se foi destruindo... Álvaro Machado – 19:19 – 17-01-2013

Ida de abandono

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Quando te abandonas do bom da vida Em tua volta só encontrarás felicidade, Mas, no teu interior destroçado, serás a eternidade Que sempre relembra o momento de ida... Partiste. E à chegada ninguém vês te esperar. E pensas no mal dos carris, ou no mal do condutor, Porque não és lúcida para admitir que foste desertor Do lado bom que te quiseram dar... Pois eu te digo que és a longínqua alma de Deus, E de todos aqueles anjos sobrepostos no ar... Não és mais nada do que isso e ninguém te quis amar. Pobre alma com quem ninguém se importa, (nem o próprio Deus...) Pobre alma com quem ninguém conseguiu falar, Nem tão pouco, um dia, gostar... Álvaro Machado – 18:55 – 17-01-2013

O coração

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"Ainda estás por aí, coração? Só queria ver-te e cantar-te a canção Que durante anos escrevi para ti." "Estou como sempre estive, por aqui. O que me dizes não é que escreveste sobre mim, O que me dizes é que não sabes nada de mim." "Oh meu coração de tantas eras, de tantos réis, Eu escrevo sobre as tuas derrotas cantadas, Sobre aquilo que vós não sabeis..." "Não; tu escreves o que perdi, não o que ganhei. Tu falas do que não sabes, tu não falas do que conquistei. Eu fui o grande amor, eu nunca fui o que sonhei..." O coração sempre esperou, a voz sempre tremeu, E nunca ninguém lhe apareceu. Largos anos de espera, largos anos de frio sofrido, E nunca ninguém lhe tinha aparecido. "Eu vou indo pela maré atribulada, Já que não acreditas nas minhas palavras. Eu vou indo com a alma naufragada, Como tu ias quando não te encontravas." Álvaro Machado - 20:54 - 14-01-2013

Solidão

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O maior medo que nos atravessa a mente É o medo de estarmos sós, sem ninguém; É viver sem aspirações e tombar ao funeral De que ninguém chorará! Passarmos o inverno sem que haja mesa posta, Nem lareira que nos aqueça de preenchimento; Passarmos a primavera sem uma flor ao peito, Nem um mandatário que a ofereça... Assim é a vida de quem está só, de quem tem Como sua companhia a solidão Que nunca verá ninguém... E é implorar para que alguém caída dos céus Caia nos seus braços, presa para sempre... (Eternamente com devaneios únicos...) Álvaro Machado - 21:38 - 20-11-2012