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incessante naufrágio

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  tenho vertigens, o medo incessante de cair... por isso é que me aproximo do mar, longe da terra, deixo o vento para me apontar o sítio, o caminho que devo seguir... temo pelo cadafalso que se está a aproximar não exógeno, o que em mim começa a nascer... o buraco do abismo a ver-se crescer dentro de mim e empurra-me p'ra longe do lar... mas esta incerteza sobressalta: se caio do abismo ou se será a naufragar que serei posto pela última vez a respirar, junto à costa ou à terra, o que me vai matar? Álvaro Machado - 11h33 - 03.05.2023

Ao sombrio sofrimento!

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Arqueiro de todos os males Entrai e vê-de este coração Quebrado e de saudades Cravado no chão Vê-de como por cá está a chover Sem sensação nenhuma a causar Sensação que está prestes a morrer Quem este queria amar.. E eu, meu coração despedaçado? Ontem tremi, hoje não me sou. Gelo perante essa epopeia a nado Que em mim cedo naufragou... Álvaro Machado - 1h41 - 16.05.2017

Incurável doença

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O amor acabou - próprio e de outrem. P'ra onde eu vou Mais ninguém vem. As feridas nunca pararam E o vazio em mim alastrou Todos os barcos e naus naufragaram E o mar nunca os avisou... Assim, na sombra precipitado, Fujo como quem ama a vida E apesar de nunca ter sido amado Aviso-vos antecipadamente da minha partida. Até ao outro lado, irmãos. (Todos os poetas são vãos...) Álvaro Machado - 11:05 - 08-04-2015

Sem nunca perguntar

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Sempre turbulento o meu olhar... Sempre sofrido o meu sentir… Que caminho hei-de, então, tomar Se eu não sei por onde ir? Como acordo sem saber, Deito-me sem perguntar O que me irá acontecer Quando mais não poder navegar… Navegar é para mim toda a essência Que faz de um homem, um homem. Tantos que, como eu, vãos por excelência Nunca sabem porque morrem. Álvaro de Magalhães – 18:18 – 14-08-2013

Alucinação minha

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Tem estado tão longe o sol da terra Como antes nunca havia estado Se eu soubesse que da paz surgiu guerra Deste mundo, eu próprio, me teria naufragado. Só tem sido interessante a mudança da corrente - Ora me puxa, ora me afasta, mas nunca me há-de largar. É uma relação doentia, minha e do mar, Um pouco comovente. A distância é só uma alucinação de aqui estar. A terra mantém-se perto do dia de sol e da noite de luar. E a vida lá vai indo, devagar, tão calmamente Que adormeço, levemente. Álvaro de Magalhães - 21:56 - 22-05-2013

Chuva de leme

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Em nenhum momento a chuva cessa E a noite continua a correr cheia de pressa Em silêncios constrangedores que fazem pesar Num tédio por que ninguém quer passar Ah, a inércia com que me acerquei, Se conseguissem ao menos imaginar! Sou um jovem que nunca pensei Ser e nunca pensei acreditar! Tão novo para o mundo, mas que o vê tão claro Como a água dos rios e dos mares sombrios; Sou tão novo para um pensar tão raro Que transcende todos os navios, E se vai por aquele Mar de Inocências, Que ninguém quer acreditar... E se vim ao mundo foi para recitar A vida de todas as excelências! (Pára o navio e o convés fica quebrado. O marinheiro, que tanto tem navegado, Depara-se junto a mim no leme E eu digo-lhe: "Apre! Infinitamente reme!") Remar é como fugir: não temos por onde ir. Só remam e fogem os inocentes... E tu, marinheiro da inocência, como te sentes? "Ao leme, a remar ao infinito" - disse ele a rir. Álv...

Alto-mar sonhado

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Estendido sobre a ilha naufragada, em alto-mar sonhado, Sinto a rota de colisão das águas batendo-me no rosto Como um tornado ouvindo-se-lhe a cólera enraivecida, E penso no que há-de ser do mar e das rochas quando não existir, Nos destemidos marinheiros que nos conquistaram a terra, E nas amas que tomam contam dos futuros marinheiros... O mar é tão complexo como as pessoas e é tão nosso como dos deuses; O mar dos meus devaneios futuros, do meu presente ignorado, Do meu passado ainda por acabar, é o mar sem marinheiro: Há dor enseada abaixo! Há redemoinhos agitados! Há o haver sonho! Ó Mar de Cherbourg, eu canto-te sem força e vivo-te sem tragédia! Eu elevo-te à terra do outro lado do oceano e do outro mar! E ainda assim um mar sem marinheiro que o navegue, sem homem Que o ultrapasse, sem nau que lhe atravesse a ilha naufragada... E ainda assim, o mar de que tanto eu espero!... (O futuro dá-me a crença de que há algo a esperar, Dá-me a vo...