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Incompreensão racional

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Em um sonho de me não compreender Dou voltas sem as dar À volta de um novo ser Acabado de encontrar. De nome e tempo dispersos Soa-me como que conhecido Vem de longe, de longínquos versos - Foi assim que senti ter aparecido. No ser e não-ser da minha alma doente Em rodopios lancinantes Tudo o que me é alheio, tão como comovente, É-me mais do que dantes... Não sei se é o Mondego distante Ou a proximidade com o Tejo Em que aos poucos um volante Se me ergue um bravo ansejo!... Álvaro Machado - 11.50 - 09-05-2015

O eco que vai por Coimbra

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Ecoa no Mondego desta cidade o som de outros tempos. Oiçam, bem de perto, a intemporalidade que vai na corrente e que são versos. (Ecoa neste rio o meu coração...) Eu que, isolado, sem saber tomar uma direcção, pergunto aos deuses do universo se algum dia me hão-de recordar como eu os recordo... Não sei, porque me dói muito querer saber. Dou um breve suspiro, fito as indefinições do ar, e penso para mim: quero é morrer. Por que hei-de outro caminho querer, se por mim ninguém vai suspirar? Mas é deste rio que me vem a veia de artista - incerto, desconhecido, embriagado pela sublime paisagem. E continuei pensando: nem que isto me leve ao suicídio, nem que da minha vida desista, o que eu quero é saborear esta viagem aos tempos passados. Álvaro Machado - 20:12 - 10-06-2014