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Substância

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Vês? Ali, ao longe, é tudo. É o universo, a verdade crua, o sentimento despido de interpretações. A luz que vês é sábia, é intensa, é virtude... Ela guiar-te-á. Eu sei, a sensação é um audaz abalo. Acaba por fazer ruir os alicerces onde nos equilibrámos... Mas sabes, não posso dar-te a chave, não posso vender-te o mundo como Orionte vendeu Que importância tem isso para ti? Olha para o céu. O céu tem tudo. Vê, sente: inspirámo-nos, condessámos a metafísica, hoje escrevemos com o coração tamanha obra!... Que vale a pena na vida? O indefinido, o incerto, o desconhecido - isso move os poetas, às escuras, na caverna do desassossego servos de todo aquele misticismo, dos devaneios repetidos, do porquê inverosímil... Não sabias que sou cego? O melhor do mundo não é ver, é sentir além-mim, além-ti, além-tudo... Álvaro Machado – 04:54 – 29-08-2015

Modernos.

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décimo primeiro canto. Consoante o modernismo a saudade. A saudade dos gregos e dos romanos dos pensamentos megalómanos, e no entanto realizáveis; Dos impérios vastos de Temudjin e César que, vendo homens, viam conquistas - um que sozinho comandava milhares. Modernismo, o desajustado e traiçoeiro. Como poderá evoluir o homem se os arquivos não se procuram nem a história se pretende saber? Diremos que Aristóteles nem existiu e que os livros metafísicos são contos de fadas... Que disparate, Da Vinci, Galileu, que horror. Ser moderno é ser só assim. Os que morreram, morreram; já lá vão... Que interessa se os perseguiram e torturaram para que hoje nós andássemos aqui? Nada... Age-se com indiferença, até com arrogância, se sequer nos abstraímos a pensar nisso. Que interessa quantos morreram a caminho da Índia para que se unificasse o império? Dos poucos nomes exaltados, que eu conheça, só Vasco da Gama, que até vem nos descobrimentos, mas onde os largos ...

Eterna Metafísica

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Não tenho maneira de fugir desta condição humana (E já o navio parte do templo) Há uma eterna prisão dispersa entre o real e o sonho E este pedaço de terra impossível de ser eu... As praias em que desembarco intrigam-me imenso. Renasce-se-me uma nova esperança ao desembarcar, Toda a areia que ergo com a minha mão é uma eterna confusão Que me vai escorregando da mão... Lá, no disperso momento em que não temos direcção, Cruzámo-nos entre árvores e animais selvagens... O espectáculo da natureza vivido entre turistas Ali está tão bem presenciado!... Depois o templo. O silêncio cerrado, a devoção, O juramento insensato, mas sentido, de todos. Vestes que ficaram à chuva para que a alma renasça E se erga em fogo ardente. Deus existe. Saindo, mais intrigado, mais atónito do que antes, Chegando à embarcação com tonturas desajustadas à compreensão, Sento-me e reflicto, muito sozinho, o que havia passado há instantes... (Terá sido aquilo tudo uma partida de alguém divi...

Oculto

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Sinto as movimentações da terra oculta, terra de averno, Contrabalanço-me entre a metafísica e o submundo, Entre a ponte que tem como direcção céu, inferno, Deus, Satanás e eu, que não sei de onde sou oriundo… Bizarro em todos os sentidos. São demasiados universos de sucedâneo ao meu… Complexo, extremamente complexo, olhar o céu E ter por que questionar: porquê tantos mundos? Vagueei num pequeno espaço do Botânico Já o silêncio a cidade inteira possuía; Ia com a alma inquieta de pensamento que não queria, Embora sozinha desejasse ser uma estrelo a sobrevoar o Atlântico… Álvaro Machado – 13h00 – 05-10-2013