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Tarde dos bons costumes

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Não sei, mas acho que estou perdido. Para mim, todas as pessoas por quem me cruzo, Todo o lado de lá das ruas e dos passeios, Todo o pôr-do-sol não tem sentido. Os meus dias são devaneios E dou-lhes pouco uso. Uma vez, lembro-me perfeitamente, Encostei-me à sombra a ver os animais. Larguei os costumes, as regras que deus me deu, Naquele instante fiquei tão contente Que, com franqueza, não sei o que aconteceu. Foi bom e desapareceu cedo demais. As mãos com que lavo o meu rosto E a cara em que me vejo são o meu desgosto. Eu queria ser quem sou e não quem estou a ser, Queria arremessar o jornal e as teorias que nada valem, E fugir, fugir é a viagem Que sozinho terei de fazer. Ó alma de ventos tristes, qual é o caminho a seguir? Dá-me alguma coisa com sentido e que possa sentir; Devolve-me a tarde que me deu prazer, Que agora as tardes são de ócio e sem esperança E o sol que lhes alenta sempre cansa. (Só Deus sabe o que está a acontecer!) Álvaro Machado – 23...

Jaspe

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Estendendo-te a mão, peço-te que venhas comigo até ao fim. Em nós o eterno será o inerte princípio de não passar disso: Um eterno que dura, não sente; um eterno de estar sozinho, Não sabendo nunca o que é sentir-te. E depois vens tu com a tua calma, com a tua submissão. O mundo apaga-se e recomeça para espreitar, O estender da minha mão, que é nobre, e a aceitação da tua, Que é um cristal em jaspe fria. Mas são apenas mãos. Não têm significado, nem amor, nem ódio... O ignóbil de traje ignóbil também estende a mão quando passo, E de ela se acercam a bondade da grandeza da sua alma e a tristeza Do seu coração, abandonado ao relento da rua... Mas são mãos e nada transmitem de mão para mão. (Mão de Deus!) Estender-te a mão durante a noite aluada, olhar-te em estrelas inúteis Que nada servem, esquecer-te à sombra das memórias não lembradas, E no fim esperar que estendas a mão... Não estendas a mão a quem de ti é escravo, mulher de tantas caras. Não venhas encontra...