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Álvaro Machado - Conversa ao leitor (Rádio Marcoense)

Uma criação diferente, o que torna o poema também ele diferente e muito liberto das regras habituais que normalmente estão inerentes a ele. O leitor que se sente e oiça aquilo que lhe digo, pois muito aprenderá.

Conversa ao leitor

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entra. convido-te a entrar. este é o poema que te aproxima talvez de mim, talvez de tudo aquilo que eu sou. tem pouco de diferente, muito de comum. um caminho atónito de quem não sabe porque sente. à porta te espera o meu primeiro eu guardião de um templo creio ser tanto meu como teu divino, na modéstia de um vadio, é um snobismo. mas, dizia-te, entra. percebes agora? em tudo, nada. do nada que eu sou este poema está criado. pouco ou nada vale. ninguém o lê. não é digno de um livro. porque é rápido e sério e não se vende corações, sentimentos... vende-se arte, dizem, da história que tem amor e família que faça sofrer e por fim rir desleixados leitores. percebes agora? este poema é uma conversa ambígua que nem forma se lhe dou E se agora quiser Começo a erguer as maiúsculas Que é de mim? Que quero eu com isto, afinal? (minúscula.) mostrar que a liberdade é mal vista aos que fazem por atirar areia que aqueles do amor são contemporâneos autore...

Um vida de quases

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Quase que viver é não existir para a vida. E saber que viver é tão vão como o esforço Enovela o desejo de continuar a lutar - Porque nada, no mundo, pode mudar. (Talvez leiam isto e achem ridículo resumir assim a vida. Também eu acharia ridículo, se não fosse eu a senti-lo. Mas, como o sinto, e tenho consciência desta insuficiência, Escrever é tudo quanto posso ser enquanto viver.) Quase que sentimentos equivalem a nada. E saber que por mais que álacre se manifeste Ou tristeza sobressaia Eu não vou poder sentir em pleno nenhum deles... Álvaro Machado – 20:27 – 20-05-2013