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Lágrimas escorridas

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Chovem lágrimas, as lágrimas minhas e as minhas saudades. Lanço sobre a minha cabeça um alvoroço imenso E quando chega junto de ti parece pequenas intensidades De um largo e duradouro incenso. Escorrem as mágoas, as mágoas de pensar na minha dor. Destruo todas as cartas que escrevi, Destruo toda a imaginação que vivi. E morro, assim, da vida um amador. A tinta está seca e o barco despenha-se nesta chuvada. Por mais marés que sinta e por mais tempestades que sofra, Eu não posso dar-te a mão ainda que sejas tu a desejada! Embrulho as cartas num toque leve, mando-as rio fora E, aguardando, espero que as leias como te disse outrora, Calmamente como a água que escorre a toda a hora! E quando esta chuva cessar, Por aqui não irei estar para contar Às lágrimas do meu infeliz coração Quando do que fui, fui ilusão. Álvaro Machado – 01:30 – 20-12-2012

Mágoa

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Os olhos choram, sabes? A alma grita por dentro... Os olhos são únicos de sofrimento... É como se morasse a maior desgraça Perto do precipício, que sou eu. Mas isto, sabes, é só meu. Já nada me assusta diante de nada, sabias? Só a alma sabe o quão ingratas são as cantigas Em que, pouco a pouco, vou cantar-te... O que sou afinal, a não ser escombros reduzidos a pó? P'ra que saibas a carta está a arder na lareira E com ela arde, também, a canseira Do meu próprio dó... Sou um vento sem direcção algures perdido. Sou uma náusea enfática do que não queiras. Sou alguém que chora, e com isto as canseiras Deixam-me entristecido... (Sabes... que cedo venha o dia em que tudo cesse, Que mais ninguém oiça falar do vento desnorteado, E por mais que alguma alma teça o triste que prece A seu fim enevoado!...) Álvaro Machado – 22:24 – 12-11-2012