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Pavimento

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Acordo como o sol de hoje: Claro e cheio de vida para dar E a minha vontade é de iluminar Toda a gente, hoje. O meu sol é, ainda assim, diferente: Gosta mais de dar do que receber E até ao meu entardecer Só vejo sorrisos de gente. Os pavimentos da rua enchem - O que vejo são transeuntes felizes Intercalados pelo jardim que preenchem. As árvores passam a dar sombra ao amor E o vento que passa deixa-me com a saudade De ser a chuva que caía sem felicidade. Álvaro Machado – 12:54 – 23-02-2013  

Farrapos

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Circunda à volta do jardim, O homem, num ciclo vicioso. Escurece-lhe a pele e parece amoroso Quando se aproxima de mim. Oiço-o bocejar, mas a hora não é motivo. A veste que usa são uns farrapos seus. Ele chega a andar excessivamente pensativo Olhando ao cimo de todos os céus. Entendê-lo é achar a sua personalidade E ele logo se afasta não criando proximidade. Não pede esmola, mas mantém-se perto E o seu destino mantém-se aberto. Retorna e senta-se, ergue-se e circunda, E compreender-lhe é achar o que pode não ser. Talvez um dia eu possa o vir a conhecer E à roda o não confunda. Álvaro Machado – 21:51 – 18-02-2013

Majestoso

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Estou rendido a este sol majestoso E quem está ali, naquele jardim, Parece seres tu a olhar para mim Enquanto balouças neste dia esplendoroso As minhas mãos, já vencidas, rendem-se Ao sol que brilha tão intensamente; Ténue de a ver vagarosamente Elas, por ti, prendem-se... Imperador sol dos doze reinos solares... Hoje, as estátuas desta terra amam... E eu vou alucinando enquanto brilhares Por entre memórias que me recordam. Dormir é deixar passar Este dia para um amanhã incerto E o destino estará sempre aberto Porque este dia há-de nunca cessar! Álvaro Machado – 20:29 – 14-02-2013

O vagabundo natural

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Eu sento a vida, porque ela me pesa ironicamente, Num banco longe dos olhares, dos contactos Com o mundo, e penso na vida tão profundamente Que quando parto sei ser eternamente As horas voam e os amigos passam, nunca vêm; E eu já não sou eu, já sou passado do presente... Perdi a fome de lutar e a sede do abismo, sou quem não sente, Sou a vida de longe, a vida do eternamente! Agora que sou vagabundo e encosto a sabedoria, Fecho os olhos e guardo o sentimento, a ironia, De ser vagabundo da vida. E a luz do candeeiro ilumina a ilusão De estar no jardim, de estar sem noção Do que é realmente a vida. Álvaro Machado - 15:12 - 29-12-2012

Jardim espiritual

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Percorre-se de silêncio o jardim espiritual Da minha alma - Talvez o vazio do espaço, E a natureza distante o deixem assim: triste. Percorre-se de solidão a alma que o atravessar; Parecer-lhe-á familiar em instantes de reflexão, E parecer-lhe-á nefasto quando o supor. (Tenho pouca noção do espaço e do tempo, Tenho tão pouca noção do que realmente sou E do que realmente posso vir a ser.) Não vejo pessoas, não presencio árvores, nem vento, Apenas saúdo a noção da esplanada vazia e a distância Das realmente pequenas e inúteis pessoas dentro do café. E os passos com que percorro o espírito do jardim Também não se ouvem, nem os gritos do coração revoltado! Apenas exalto e extasio as coisas dentro de mim. (Imagino que me oiças, imagino que me vejas deitado Sobre o banco a pensar nisto; pensa também no que fui, No que sou e no que poderei não vir a ser...) Álvaro Machado – 19:46 – 28-12-2012

Sublime jardim

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O jardim, sem luz, deixa um rasto, Para que sigas com toda a luz Seu enigma indesvendável. Portanto, segue-o sem perturbações, Segue-o sem questionares nada, E encara-o como sábio e certo De toda a diversidade terrestre. Sem luz ao fundo de todas as dimensões... Sem dimensões nos candeeiros do jardim... Faz com que seja o teu caminho suposto, Faz com que dele dê certo a certeza Que serás feliz, que o futuro te sorrirá Como a mim não foi capaz de sorrir, Nem de abraçar... Este é o meu jardim De luz posta à luz das velas e do amor, Das naus expostas aos cais sombrios, Dos lobisomens em florestas alheias E de obscuros batimentos de dor. Mas em ti, Deus sorrirá altivamente. Vai com ele, ergue-te ao céu divino E canta melancolicamente a Querubim A alada virtude de seres formosa!... O futuro espera-te no futuro, O passado já de si saudoso chora, E o presente idolatra-te!... (Mas, como hei-de dar-te rumo? Se o meu jardim cessa Qua...