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Total perda

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Perdi tudo... Mesmo esse nada se esvaiu de mim... Tornado escombros, vagabundo... Aqui gelo; e que sou? Em multidões escondo-me, mas por dentro morro. Toda a crença é cavar mais fundo na minha cave de inércia... Perdi o controlo... Tornei-me num deus frio, não sabia... E quando cumprimentei o barbeiro ao pensar nisto, ele sorria... Pois agora solto um breve suspiro ainda antes de partir... Se soubessem o fardo que carrego e, inda assim, nunca o tiro... Só quero apagar o cigarro e sorrir... Mas agora é tempo perdido - o que perdi, é fugido, e o que tenho é efémero para voltar a viver. Álvaro Machado - 20:38 - 30-05-2014

Rendição

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Rendido. O peso de consciência é demasiado. Prendido nos recônditos mais sombrios, Pesa à alma as desgraças de toda a humanidade E pesa tudo, só num pensamento. A depressão de estar sozinho e de não ter com quem falar. De estar deitado e de não conseguir fechar os olhos. Tudo é culpa de antecipar um sentimento ou uma acção, Que talvez nunca será realizável, Mas dói entrar nessa abstracta antecipação. Só rostos enfraquecidos tomando-nos a consciência! E nós enlouquecemos porque eles não deixam Que este peso se afaste... Estar rendido é o preço a pagar para quem não tem forças Nem vontade de espírito para continuar; E no quarto está escuro, com as más energias sobre o ar: Quanto rendido posso eu estar? Álvaro Machado – 01-03-2013

Rua da alegria

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As ruas surpreendidas por me verem Na avenida dos sonhos, e as estranhas criaturas Perplexas quando eu passo caricaturas E elas o serem. A árvore reluzente, a música permanente, E em todo o caso um mendigo deambular Pela estrada do infinito, pela estrada do sonhar, E a sua voz entra de maneira comovente. Sobretudo ao chão, boina voando sem direcção, O homem que entristece, o homem sem coração Volta as costas à vida e não tem sítio por onde andar. Não tem família e a rua não alegra a sua alma. É ninguém, nada o conhece, ninguém vai encontrar... Voltou as costas, não soube de vivalma. Álvaro Machado – 20:37 – 17-12-2012