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Conversas

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Com a presença da chuva Agoniza, a conversa, entre nós. Sobressaem as mais indesejáveis Conversas, entre nós. Talvez porque eu já não desfruto Dos momentos em que mais teria razões Para desfrutar, junto a quem está junto de mim. E por que o não desfruto? Eu não posso, nunca, responder a isso. A resposta está num patamar acima de mim, Muito mais acima de mim, onde ninguém chega - Está acima das nuvens e do espaço. "O melhor era que nem tivessem nascido" - disse uma voz. Uma voz certa e profética que ensina à humanidade Que este mundo não tem nada a não ser a cismática ideia Do mundo continuar sem nós... Depois a chuva cessa e a conversa abandona-me. Orionte já se foi e há-de continuar triste como a noite. O que agoniza são pensamentos inquietantes Que nem deveriam ser pensados em mim! Que gargalhada impetuosa: deixem-me rir. O que é a vida a não ser uma ironia? Quantos vão e quantos mais estão para vir E hão-de p...

Trajecto de quem passa

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As portas têm-se fechado, a cada dia, E em cada dia se tem a certeza De que nada vale a pena - tudo é tristeza... Viver é só até um dia. De que vale andar pela rua a pensar? Pensar em que não merece ser pensado? Nos dias que passo fico a observar O trajecto de todos, e o meu fica inacabado... E por aqui ando, com um sorriso irónico, A contemplar o trajecto de quem passa. (O trajecto inacabado que tanta coisa disfarça!) E logo penso para mim: Não vale de nada andarmos assim... Não vale de nada pensar em pensar como eles... (Vale a pena é ser rico!) Álvaro Machado – 19:52 – 16-01-2013

Entre a distância do homem

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Tão longínquo é o homem de si próprio, Que quando lhe desvia um olhar, e o observa, Dá a instância fulminante de desespero e percepciona-se A real distância de si para si. Pensando bem: se o é realmente distante, porque há compaixão? (Eu sinto compaixão por quem me cruzo, possa ele ser o mendigo Das minhas noites ou o artista dos meus dias; somente há lepidez Quando caminho peculiarmente dentro de suas mentes) Nós devíamos ser a proximidade do amor de um abraço caloroso, De um saudoso beijo sem época, de um grito avernal aos deuses! Nós, homens e mulheres, poderíamos ser a apoplexia irónica De um mal-estar grotesco, e aí talvez houvesse proximidade! E ninguém faz da proximidade um afecto, e por isso somos a distância Dos afectos impiedosos, dos sentidos iludidos e de amores - o sentido É de que amar nos perturba a acção - quase-sentidos de não sentir. (Porquê a compaixão no longínquo homem?) Longínquo homem, por que razão és frio como o ...

O Superior

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De tantas coisas acima de mim, Podia eu viver, então, subjugado Ao superior e impossível de mim... E por que não lhe vivo então? De tantas altitudes indesejadas, E de tanto sofrimento incessável, Por que sou isso tudo mesmo não sendo? E por que lhe vivo então? Ah! Pudesse eu ser fatídico com o superior! Pudesse eu sentenciar eternidade noutras estrelas, Noutros sóis e noutras naturezas mais férteis! Ah! Pudesse eu ser o que não sou! Mas o mais longe que consigo é pensar exaurido Do que não posso mais do que pensar... E tal é a ironia de pensar ao que não se pode chegar, Que quando se pensa nada há-de cansar... E de tantas batalhas perdidas entre mim, De tantas ironias espalhadas e perdidas, O que há-de restar acima disto tudo? (Talvez tu, talvez eu?) Álvaro Machado - 21:24 - 04-01-2013