Sombra na mente
Escondo-me na sombra E enquanto o sol ilumina Outras sombras passam, Outras sombras ficam E eu, enquanto estou a sonhar, Julgo-me perdido, mas feliz, A vaguear por infinitas rotas Que em nada se cruzam E se me atravessam a mente (Ah, que as oiço perfeitamente!) Como se fossem vozes lá em cima A chamar por mim... Eu não tenho uma rota definitiva. Só preciso de vaguear... Pode até ser absurda esta noção da realidade, Mas eu prefiro ficar a sonhar E a ver os meus sonhos à sombra - Eles à sombra iluminam-se, Enchem-se de esperança E brilham sem luz. Não me pareço com nada. (E porque me falais daí de cima?) Não oiço voz nenhuma. Não há luz que me ilumine. Só que escorrem lágrimas À sombra de mim E um lago de lágrimas flutua Estas saudades... Nunca me deram um remo ou uma nau, Para que eu percorresse este lago, Este lago, que nunca viu uma luz Ou outra coisa a não ser sombra! Álvaro Machado – 22:10 – 24...