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Século fúnebre

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Doze cantos, a começar do décimo segundo. Da praia lusitana tantas vezes invocada Eu caminho agora para o fim. Foi a língua que se perdeu E a pátria está naufragada - Portugal hoje é assim. Então hoje eu volto às origens De erguer em meus cantos Novos mestres para as novas viagens, Novas Tágides para novos encantos, Deuses para a crença não findar. Doze cantos de solidão, De amor, de tragédia e de sacrifício. Heróis que inda crêem em el-rei D.Sebastião Aparecem encostados ao ofício Dos que inda matam por matar. Louvado seja o senhor. Em grande, louvemos. Senão os imortais no tempo Acercam-nos e, depois de impingirem a dor, Nós morremos. Ó canto meu, nada sei... Portugal já não tem a praia lusitana no alto do luar Nem a esfinge nos há-de voltar a cruzar. Resta-me apenas o que criei - Doze cantos sem os não pensar. Álvaro Machado - 13:43 - 29-03-2014

Franzino

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Quase que o vejo, com um tom claro e franzino, A deambular pela cidade como um esquecido Que põe em si toda a crença que há em Deus E quase que o vejo, enquanto espera. Com um passo pensativo e preponderante Que sempre espera por um sinal divino - Brilham os seus trajes de um interior ardente, Brilha, o homem, claro e franzino... Que não há-de chegar nunca, porque é quase homem. E os quase homens não são a colheita mais nobre. Ainda assim, vejo, quase, uma crença fiel e cheia de amor De um homem que anda danado com a vida - que horror! Cai-lhe, as vestes, só com o sopro do vento, Escorrega-lhe, o rosto, em profundas lágrimas - Tão homem não podia haver! Tão nobre em espírito! - E, ainda assim, só assim, tem ar de ter estado no convento, Quem sabe horas antes de o estar a ver fosse ele padre... E a sua crença tenha, afinal, uma veracidade incontestável... Continua caminhando. Franzino e claro como uma manhã clara. Quase que o vejo, ...

Sentido da vida!

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Tenho procurado, tenho estipulado enigmas, tenho enfim criado humanidade Para além da que existe neste confins do mundo - todo ele enfático e mórbido, Em que ninguém é de ninguém e apenas se cruzam num sonho castelhano; Tenho encontrado a verdade, a verdade de quem criou o homem... Depois, olha lá para fora e está um dia sol em pleno inverno. Nele passa o enleio Das almas que como eu sentem não ser nada e ser vãs como tudo que existe... Ao cimo da minha aldeia não sei o que há, mas sei morar lá ditinho Que prece meu fim antes que diga a verdade!... Temos que pensar que nós, homens e mulheres, nascemos não sabendo de onde, Vivemos não sabendo porquê e morremos, de mesmo modo, não sabendo Que será final o presente imprevisível... Podemos, ainda assim, imaginar qualquer coisa: Quando acabar, seguiremos para o céu ou continuaremos cá a filosofar sobre seu fim? Temos que saber afinal quem somos apesar de, indubitavelmente, ninguém poder saber! Soment...