Uma história breve
Por entre todos os caminhos que se dispõem ao longo da ilha Reconheço-lhes, como se adivinhasse o futuro, As origens e as tempestades, e a essência das nefastas paisagens Que não me trazem memória nenhuma E vejo-as com nitidez absoluta por serem vulgares, Por não fazer lembrar nada ao vê-las; Acendendo o cachimbo em alto mar eu penso: - Onde estais vós, origens? Nada que é navegado tem futuro ou sequer passado, Nada existe de memórias ou de lembranças Ou seja o que for que me faça voltar no tempo, Porque eu não tenho tempo nem época. E assim, todos os dias mudo de personalidade. Mudo consoante a maré. Se ela for monótona e me levar sempre ao ponto de partida, eu escrevo Como poderia ser se a maré fosse tenebrosa tal qual antigamente o era! (Antigamente eu era coisas cujo nome não me recordo...) Mas falar do antigamente ou da probabilidade da maré ser tenebrosa Já é contra a minha personalidade: deixo-me só a navegar por Cherbourg, A ...