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Um a um vamos caindo Num abismo sem fim Às portas fechadas na chuva turbulenta Giram corvos numa dimensão tremenda Um a um, engolidos por razão qualquer, Da vida vamos indo Nessa estrada feita em ermo Razão parva de corações sentindo E a mágoa de qualquer um? Colocam-na nos deuses dispersos Girando e voltando a girar em mim Até brotados os versos. Álvaro Machado - 01h42 - 13.09.2017

Poeta dramático.

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Sobre a lua ainda não aparecida poiso meu prolixo fragmento e penso se será merecida a dor do meu sentimento... Momentos após quase esqueço. Indecisão? É tremenda, a linha é excessivamente ténue p'ra que possais pensar dela ao avesso, dados a ela artística e fugazmente... Tão-só respirais; nunca ireis saber como sabe o respirar na alma, repleta de oníricas escadarias... Viver é-vos esperançosamente tido pela inconsciência do vosso ser sem catedrais, sem palácios majestosos, sem covardias, sem viagens exaustivas à consciência onde a lua nunca veio... Afinal, sou apenas um poeta dramático. Álvaro Machado - 19h27 - 08-7-2016

Projecção de um nefasto subsistir

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Julgo que sou. Não sei se realmente sou. Julgando-me posso não ser, Sendo outro que não este. Como tudo na vida e que existe - física, mental ou oniricamente -  Pode correr como julgámos correr e existir E assim ser para nós. Pode até nada ser disso que supomos Como real e despido de projecções ridículas e irreais; Pode ser, quem sabe, a vida uma roda gigante e nós sermos Movimento contra movimento. Ser e supor chega-nos às mãos repentinamente: quando nascemos, sem consciência. Depois, remetendo-o para o tempo, o nosso tempo, Haveremos de nada ser, então? Álvaro Machado -17:05 - 22-11-2015

resguardado homem

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bati à porta, aguardei deus para a abrir... esperei demasiados e longos anos, ao frio, à chuva, usando gastas palavras e sonhos esquecidos... até que me tentei tornar num dos tantos milhares, com vidas normais, a não questionar-se sobre fundamento nenhum... mas havia sempre algo. algo que não me deixava simplesmente viver. suspirava fundo: o vento fizera-me renascer, a saudade chorar, o errante vadio filosofar!... porque, para mim, nenhuma brisa reflecte a mesma sensação, porque, em cada uma delas, eu recrio o mundo, encho-o de novos pensamentos, de novas cores, do tutano da vida! deus..., deus não me abriu a porta, deixou-me à porta e nunca veio... revoltei-me; durante a minha vida inteira abri-lhe o meu coração, nunca a nenhum comum dos mortais, contei-lhe todos os meus sonhos, mas ele nunca veio... cavei uma sepultura então. e até hoje continuo debaixo dela numa incessante solidão!... Álvaro Machado - 13:07 - 08-02-2014