Mito da existência
Sou eu, meu amor. Sou eu. Sou só eu e o quarto abandonado Que foi de um só pensamento que se esqueceu Quando mais devia ser relembrado. Nunca tenho nada onde me agarrar Senão à chuva e ao vento e às lembranças que vêm do luar. De resto, que fora de mim, que é de mim? Não faz nenhum sentido p’ra onde vou, nem de onde vim… Se eu pudesse mostrar-te tudo o que estou a sentir… O que grito por dentro com tanta indefinição… Tudo o que olho no acaso e que consigo pressentir Com uma tão grande e tão inútil noção… Faz-se do obscuro do que move a corrente da alma Uma clara névoa que nunca hei-de entender… E, sem nunca saber o que estou a ver, Virá a onda de o mar p’ra eu partir… «Sou eu, sou eu!» Disse alguém que do mar veio E pelo mar também desapareceu. Álvaro Machado - 01:45 - 25-04-2014