Perdidos em vão e à sorte do Destino, Esquecidos por tudo e todos, Somos os poetas do Meridiano de Sangue Isolados, porque assim o quiseram. Ermos e inertes lugares, Povoados apenas por os desventurados... Florescem e frutificam os pomares E quantos dias são por nós passados? Ah, que é doloroso deambular ao azar! E o farrapo do miúdo se lhe desnorteia! Quantos mais estão para vir? sabe ninguém, Ninguém é certeza de vinda. É o despovoado bebedouro dos camelos Que lhes arrefece a pressa da vinda: "Pois vide vós o averno que vos espera Quando mil tochas vos marcarem o rosto!" Lhe atirava com infâmias ainda no porvir - Atiravam-nos com as culpas de quem sonhou Com tudo o que não podia ser seu, Atiravam-nos com a má sorte de quem amou... O porteiro da antecâmara, desgraçado ele também. Desafortunado como seus compadres poetas, Que foram sonhando e foram-se perdendo Até ao lugar esquecido do Meridiano de Sangue. ...