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Sentir demais

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Tenho em mim tanto sentir Que não sei bem precisar, Sou de um pequeno lugar De caminho invulgar Onde toda a gente quer vir. Só que ele é, ao mesmo tempo, Oculto lugar. Tem que se sentir, vivenciar O que está para além do campo Entrar adentro dele e ali ficar. É um mundo novo entre mãos, Transcendente a mundos anteriores; Qualquer um almeja as suas cores, A extensa colectânea de corpos vãos E todos os sentimentos, ali, são superiores Como um Jardim do Éden diante de uma floresta Sempre oculto a qualquer alma vulgar; Para o espírito poder entrar Tem que sentir demais, porque demais nunca resta: É preciso o pequeno sentimento se amar. Álvaro Machado – 14:40 – 02-11-2013  

Nevando corpos

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Nevava junto à casa a neve de dois corpos Arrastados pelo chão gélido, enevoado. Ali todos os segundos contavam uma história E o rascunho, apaixonada neve, era o sorriso Como num grito, das mil palavras ditas, Um breve suspiro contando segundos Que passavam enquanto a neve descia Sobre os dois corpos imotos Ambos fumavam um belo cigarro Duradouro até à madrugada seguinte... Ambos dissolviam o fumo nas veias E filosofavam ignobilmente Ele tinha apoiado o braço no seu pescoço Encostando-lhe à cabeça o rascunho - Que levaria em conta o amor nutrido; E avançou de uma vez só com a voz: «- Quando neva confunde-se-me a razão, Por não saber o que sentir... - Quando neva iluminas a minha alma Como se na neve morde-se os lábios» «- É assim que te deslumbro, mas encantado Eu grito à luz que me viu nascer algo mais Grito de amor, que não possuo, e grito de dor Contigo ao meu lado!» Caía ainda neve posterior à casa e aos dois... ...