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Vozes inúteis

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Não os conheço; não existem. E, ainda assim, vozes encharcam-me De os pensar, se os penso, com histórias Inúteis tanto como quem as conta. São a paisagem intemporal dos tempos derrotados, As esperanças sem necessidade de as realizar, Os sonhos fictícios de os achar realizáveis estupidamente! Se sonho, também? Sonho e vivo de sonhos que vou sonhando! Não os sonho só porque tive de adormecer e porque é bom - Nem tudo o que sonho é enquanto estou a dormir, nem tudo quanto sonho É enquanto fecho os olhos... - Eu sonho-os sobre a adversidade real e amálgama da vida! Não existem; não os conheço. Se não existem são felizes e não pesam, Não têm de escolher entre o bem e o mal Ou ficar no meio a pender para um deles. A vida é doer Só ao viver E enquanto os achar na inexistência Não os quero conhecer!... Álvaro Machado – 03:07 – 01-04-2013

Espelho real

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Saído da livraria, que tanto me tem feito pensar, Eu encontro ao acaso um espelho em que fico a olhar Como se nele transparece-se toda a verdade que há em mim E se apenas ele soube-se verdadeiramente quem sou... Na realidade, pressinto que apenas este vidro incolor Pode saber realmente quem sou, e que só ele vê esta dor De que mais nenhum espelho pode transparecer. Por mais que julguem nunca me irão conhecer. Consigo fintar todos os olhares, todas as supostas ideias de mim, Consigo ser tal qual como eles e levar uma vida também assim - Que não busca motivos nem razões p'ra nada, e posso eu ser Como todos, porque todos nisso vão crer. E é quase irónico pensar porque nunca vemos o nosso rosto A não ser quando nos contemplamos num espelho qualquer; Dá a impressão de aquele não sermos por variados motivos. Ocasionalmente encontramo-nos connosco, Ocasionalmente encontro-me comigo e sinto indisposição de me ver. Acho ridículo as formas c...

Grande perda

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A nossa grande perda é o esquecimento De quem somos, do que fomos... É a grande perda da humanidade, E o nosso maior sofrimento. Esquecermos de onde vimos É esquecer quem somos, Porque quem esquece não lembra E vive a sua vida de aparências. Nunca podes esquecer. Esquecer é morrer. Tu, homem de tantas excelências, O que queres é viver! Por isso, vive feliz e em paz. As memórias até podem ser más, Mas com elas deves viver. (É ao teu passado que deves conhecer.) Álvaro Machado – 16:24 – 19-01-2013