Franzino
Quase que o vejo, com um tom claro e franzino, A deambular pela cidade como um esquecido Que põe em si toda a crença que há em Deus E quase que o vejo, enquanto espera. Com um passo pensativo e preponderante Que sempre espera por um sinal divino - Brilham os seus trajes de um interior ardente, Brilha, o homem, claro e franzino... Que não há-de chegar nunca, porque é quase homem. E os quase homens não são a colheita mais nobre. Ainda assim, vejo, quase, uma crença fiel e cheia de amor De um homem que anda danado com a vida - que horror! Cai-lhe, as vestes, só com o sopro do vento, Escorrega-lhe, o rosto, em profundas lágrimas - Tão homem não podia haver! Tão nobre em espírito! - E, ainda assim, só assim, tem ar de ter estado no convento, Quem sabe horas antes de o estar a ver fosse ele padre... E a sua crença tenha, afinal, uma veracidade incontestável... Continua caminhando. Franzino e claro como uma manhã clara. Quase que o vejo, ...