Morfina cerebral
Vácuo... as horas perspassam infinitamente Em que desassossegos me disfarço Até a chuva ouço dolorosamente Súbito, fugaz embaraço O passado? Não o tenho consentir. Fui frágil por deveras sentir. As naus partiam e regressavam E nunca era senão as mesmas a vir... Lá no cimo, infinito que chamamos, Guardo rancor a tudo que ouse existir, Enalteço vozes sombrias só para te ouvir Dizer que nunca nos amamos... A cave é lancinante. Os deuses não existem... O meu desabafo é covarde, desesperante As dúvidas sempre persistem...