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Morfina cerebral

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Vácuo... as horas perspassam infinitamente Em que desassossegos me disfarço Até a chuva ouço dolorosamente Súbito, fugaz embaraço O passado? Não o tenho consentir. Fui frágil por deveras sentir. As naus partiam e regressavam E nunca era senão as mesmas a vir... Lá no cimo, infinito que chamamos, Guardo rancor a tudo que ouse existir, Enalteço vozes sombrias só para te ouvir Dizer que nunca nos amamos... A cave é lancinante. Os deuses não existem... O meu desabafo é covarde, desesperante As dúvidas sempre persistem...

Eternamente esquecido

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A um dos frios recantos da cave, Num cessar de luz cerrado, Come a criança bolachas Enquanto principia o dia. E nesse passar de tempo, As aves entoarão o mórbido que jaz E nada mais restará Senão o esquecimento... Mas estou bêbado e mal me peso Em um contrabalanço do viver estando morto Não quero ficar, passo fome na alma E a um mendigo ninguém estende a mão... Álvaro Machado - 16:31 - 17-05-2015

Cave do coração

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Na cave do coração magoado Uma perturbadora e entreaberta porta deixa a dor surgir Por entre a madrugada distante. Eu, envolto nos mais desesperados embalos para a morte, Deixo fluir a escuridão que há em mim - vejo-a expandir por todo o universo Em eterno vácuo... E que só tu, noite de recantos infinitos, Me compreendas e me leves no coração... Porque o resto eu calo e guardo E mantenho gélido... Gélido então, pois a vida me deu sombra e solidão Quando havia sol e alegria; Abriu-me, sem que notasse, uma ferida nessa cave Que eu chamei de coração... Álvaro Machado - 01:24 - 01-05-2015

Cave do tempo

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Estou na cave do universo E é tão pesada a consciência de tudo o que existe... A alma vagueia aos prantos pela rua da cidade esquecida Onde as pessoas fazem-me ter consciência Que a morte vem, vem lenta, silenciosa, discreta E que, quando vier, virá impiedosa. Levar-nos-á sem dar-mos o nosso último adeus. Parece que nem existimos... Que me resta? Esperar? E esperar o quê? Será que só irei sentir uma rajada de vento E depois caie redondo no chão? Sei lá eu... O que eu sei é que o tempo pouco é. Às vezes andamos pelos atalhos do quotidiano A fugir ao que realmente importa, que é abraçar as pessoas que amamos, Poder dizer todos os dias o quão especiais elas são para nós. Mas o tempo passa. Quer digamos ou não, ele perde-se, nós perdemo-lo... Não volta. Só passou. Era esse o seu sentido, o de passar sem ficar... Agora que eu queria dizer o quanto amo o mundo, tarda o dia, tarda a alma. Passei horas e horas a tentar compreender o incompreensível Para poder afirmar qu...

Cave

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Está muito distante. Na cave fria que ninguém lembra E onde ninguém vai ao encontro. Só sei que é distante... Só sei que por lá ninguém passa... Está no limbo e por lá ficará enterrada... Sonhos que se vêm e que se vão, Diante de um vazio mais vazio do que o de estar triste... Ondas amargas que nem do mar são... Pedir será em vão, porque calhou assim... A distância na distância criou um frio cerrado: Talvez a morte tenha chegado. Álvaro Machado - 21:52 - 15-08-2013