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De um português de Portugal

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Portugal, Por ti já vi homens derramar sangue, Morrer se tal fosse imperativo, E os soluços que as viúvas davam Não foi por não te amarem... Portugal, Por ti já vi homens atravessar o desconhecido, Mesmo contra todos mitos, E se a saudade lhes apertava o coração A bravura fez-se-lhes ir adiante... Portugal, Por ti já vi poetas exaltar teus belos feitos E morrer assim esquecidos como jaspe fria, Pois nunca os ouviste a gritar por dentro A imensa empatia que te têm... Mas Portugal..., És tão cinzento, não tens voz, mal te reconheço assim... És gélido, não tens brio, em ti não se vê esperança... Mas Portugal..., quando voltas? Álvaro Machado - 05h00 - 22.05.2016

embalar do senhor

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e agora que o tempo chora embalo a canção da minha hora... e agora que o tempo chora caído não me levanto como outrora... e agora que da minha mão o tempo voou é que não quero ir embora... e agora que tudo que era se esvaziou é que não quero ir embora... e agora, embalando-me, cantando, sorrindo, vou como que afastando-me, vou longe indo...

Modernos.

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décimo primeiro canto. Consoante o modernismo a saudade. A saudade dos gregos e dos romanos dos pensamentos megalómanos, e no entanto realizáveis; Dos impérios vastos de Temudjin e César que, vendo homens, viam conquistas - um que sozinho comandava milhares. Modernismo, o desajustado e traiçoeiro. Como poderá evoluir o homem se os arquivos não se procuram nem a história se pretende saber? Diremos que Aristóteles nem existiu e que os livros metafísicos são contos de fadas... Que disparate, Da Vinci, Galileu, que horror. Ser moderno é ser só assim. Os que morreram, morreram; já lá vão... Que interessa se os perseguiram e torturaram para que hoje nós andássemos aqui? Nada... Age-se com indiferença, até com arrogância, se sequer nos abstraímos a pensar nisso. Que interessa quantos morreram a caminho da Índia para que se unificasse o império? Dos poucos nomes exaltados, que eu conheça, só Vasco da Gama, que até vem nos descobrimentos, mas onde os largos ...

Século fúnebre

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Doze cantos, a começar do décimo segundo. Da praia lusitana tantas vezes invocada Eu caminho agora para o fim. Foi a língua que se perdeu E a pátria está naufragada - Portugal hoje é assim. Então hoje eu volto às origens De erguer em meus cantos Novos mestres para as novas viagens, Novas Tágides para novos encantos, Deuses para a crença não findar. Doze cantos de solidão, De amor, de tragédia e de sacrifício. Heróis que inda crêem em el-rei D.Sebastião Aparecem encostados ao ofício Dos que inda matam por matar. Louvado seja o senhor. Em grande, louvemos. Senão os imortais no tempo Acercam-nos e, depois de impingirem a dor, Nós morremos. Ó canto meu, nada sei... Portugal já não tem a praia lusitana no alto do luar Nem a esfinge nos há-de voltar a cruzar. Resta-me apenas o que criei - Doze cantos sem os não pensar. Álvaro Machado - 13:43 - 29-03-2014

Cantos sós

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Canto só. Um canto só eu canto só. E não tenho que ter sentido nenhum. Neste momento hão-de estar universos à parte A me conceberem mais cantos sós. Tudo está mudado, os tempos, os homens. Mas como posso eu inverter a força das marés, o calor incessante do sol, E pedir aos deuses, senhores do universo, para retornar Ao som das naus a baterem nas encostas E dos gládios erguendo ou caindo? Nem sei o que escrevo de tão só que me sou… Se eu rodopiasse entre os sonhos e se vivesse só neles, Eu, sobre um casaco e um cachecol velhos, e sobre uma qualquer cidade fria, Com o meu cachimbo de todas as inquietudes, Teria a sensação de que conhecia o mundo. Mas assim não. Tenho isto tudo e ao mesmo tempo não tenho disto nada. Pois é a viagem que percorro no tempo atónita e permite-me Criar e desmoronar ao mesmo tempo, crer e descrer logo a seguir; Posso, com a minha alma, percorrer o universo, alcançar as paragens impossíveis da razão, E depois voltar, esquecer que o fiz, e ...

Espalhar

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O amor não precisa de ficar aí dentro. Não sufoques só por partilhares contigo A suposta alegria em que tu criaste Um mundo inteiro de bons momentos. Espalha-o pelas ruas e pelo mundo, Mostra-o à água, deixa-o transparecer às nuvens, Eleva-o ao céu... canta de amor o teu amor Como o rouxinol canta de alegria. Torna-o momentaneamente real E extingue outros sentimentos; Ah, esquece os pressentimentos Que não há-de passar disso! (Quem viu o rouxinol poisado na árvore Nunca mais verá o rouxinol poisado, Ele levantou voo com uma alegria De quem esteve sempre a cantar...) Álvaro Machado – 23:43 – 03-03-2013