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esperança

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sala escura, caras estranhas. os mesmos efeitos, as mesmas dores. as tão conhecidas façanhas os altos e nobres falsificadores. o mesmo objectivo de livre-arbítrio: não querer estar aqui, querer só estar bem; querer estar longe e noutro sítio, estar sozinho e sem ninguém. nem sempre querer-mos escolher é estar do lado certo. o caminho tem de estar pronto a nos receber, tem de estar de coração aberto. e a sala escura já se ilumina. é novo dia a dar-nos a mão. rasga-se no céu um clarão - a certeza que deus nos concebe o perdão. Álvaro Machado – 22:38 – 30-06-2013

Sem obstáculos

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Enquanto está longe, Porque só longe pode estar, Toda a vida é para apreciar. Todo o caminho é para seguir. Toda a esperança é para acreditar. Todo o meio é para erguer. E os pássaros só têm que voar, Porque o futuro deles é esse. De verão em verão, de sol em sol, De paisagem em paisagem... E seguir sempre, Sempre em viagem... Álvaro Machado - 19:39 - 19-06-2013

Não ter nexo...

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Quando quis voltar a ter rumo já tarde era para mim. De novo quis voltar àqueles desertos alucinantes, Àquela prisão de areia - e os camelos tão distantes Juntam-se, a mim, nestes cismos arrepiantes! Não há mais conquistas a ter. Nem futuras a sonhar. Passo horas à espera que frutifiquem Árvores de fruto que nem tão pouco crescem Porque o sol, em vez de criar, há-de queimar. E em vão, a alucinar, eu peco por te desperdiçar, Que nem ter esperança me há-de ajudar, Porque Deus quis que o meu rumo fosse procurar O rumo onírico de nada encontrar! Álvaro Machado - 20:56 - 24-04-2013

A conversa da noite

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É sublime conversas noite adentro, horas a fio, Porque quem conversa não sai do espaço em que está, Mas voa, e voa para outro tempo que não o de cá. É produtivo falar quando se pensa e se vive no falar, Mas é-o porque montámos tudo junto do abstracto: As mesas de jantar, os castelos da antiguidade, Os planetas do futuro sensacional, o presente português e degradante (Anti-revolucionário e pacato com tudo); e depois disso o frio de estar noite E de termos de terminar esta conversa. Ele vai embora, vai naturalmente para a sua vida habitual e rotinada Com família e com uma lareira que lhe dê conforto e o aqueça; E eu vou embora de costas voltadas p'ra felicidade, Vou de corpo e alma num profundo isolamento e vou acompanhado, Mas pelo frio e pelo vazio, pelo invisível e pela sombra, Pelo som de nada feito de som ensurdecedor... Para onde vais? Para onde vais eu não o sei. E a que ritmo vais? Talvez vá ao ritmo deste ritmo garbo e ao me...

Na era errada

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Por eu não valer o momento Há um futuro que não me quer, Há um passado meu de esquecimento E esta vida é de um qualquer... Desaprendi o sentir e o estar sentindo E agora nem sei por onde estou indo... Se olhar para trás não vejo um caminho E parece que nunca tracei nenhum... Escorre no som dos riachos e da primavera O flagelo de eu não me conseguir viver No momento da minha era! Não sou feliz, seja ela o momento que for. Quem é feliz nunca há-de saber o que é dor Porque sempre saberá se conhecer! Álvaro Machado – 21:43 – 12-02-2013

A luz iludida dos caminhos

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Escrito na incerteza de um caminho incerto… Por mais caminhos que possamos idealizar, Por mais ideias que possamos criar, Por mais que nos digam: "Podem mudar o mundo", Isso é incansável em todos os aspectos. Porque o homem ilude de emoções excessivas O que na verdade sabemos nunca conseguir E porque todos os caminhos se resumem apenas a um, Que é o caminho que veio sem nunca vir... Todos eles ilusórios como a luz de os imaginar E há-de continuar, o homem, o caminho de acreditar Que melhores tempos virão, apesar das tragédias... Não vislumbrem, apesar de ter curiosidade Em saber o que se passa do lado de lá. Não vislumbrem! Só tenham a certeza única que vos trará infelicidade. Álvaro Machado – 20:21 – 29-01-2013