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Tarde dos bons costumes

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Não sei, mas acho que estou perdido. Para mim, todas as pessoas por quem me cruzo, Todo o lado de lá das ruas e dos passeios, Todo o pôr-do-sol não tem sentido. Os meus dias são devaneios E dou-lhes pouco uso. Uma vez, lembro-me perfeitamente, Encostei-me à sombra a ver os animais. Larguei os costumes, as regras que deus me deu, Naquele instante fiquei tão contente Que, com franqueza, não sei o que aconteceu. Foi bom e desapareceu cedo demais. As mãos com que lavo o meu rosto E a cara em que me vejo são o meu desgosto. Eu queria ser quem sou e não quem estou a ser, Queria arremessar o jornal e as teorias que nada valem, E fugir, fugir é a viagem Que sozinho terei de fazer. Ó alma de ventos tristes, qual é o caminho a seguir? Dá-me alguma coisa com sentido e que possa sentir; Devolve-me a tarde que me deu prazer, Que agora as tardes são de ócio e sem esperança E o sol que lhes alenta sempre cansa. (Só Deus sabe o que está a acontecer!) Álvaro Machado – 23...

Maestro tenebroso

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Quero versos rápidos e com espasmo, Quero sentir uma intensa melodia carnívora, Quero que se exaltem mais e mais poemas E que sejam cantados altivamente! Música inerente à palavra! Raiva se for precisa! Curvatura corporal para compor uma obra-prima! Louco, ébrio, nobre, exausto, ávido, sereno, pálido! Mestre das nossas vidas! O céu: quero-o lúgubre, completamente tenebroso! Quero-o magistral com nuvens atónitas à direcção! E depois o silêncio espalhando por toda a parte A melodia saudosa ao destino! Que ninguém ouse ser mais entontecido do que eu Algo dia poderei ser! Peço-vos ó antiguidades clássicas! Neste momento estou ébrio e há algum mal nisso? Vou a caminho de casa quando, na minha cabeça, Imagino notas harmoniosas e submissas… Uma pausa: a passagem aos enraivecidos tons de revolta! E vou já na rua com a espontânea vontade de gritar, meu deus! Ó meu deus, que melodia vagarosa de céu e excêntrica de averno! A rapidez insensata e demo...