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Sobre reis

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Escrevo hoje sobre reis. Sentado. Inspira-me o que me foi ensinado Sobre um qualquer reinado Em bruma, em mistério, em silêncio... Reis de Espanha ou de Portugal, Eram os nomes pronunciados. (Salvo erro, claro!) eis que me encantaram De uma maneira que não podia ser igual Aos monótonos dias passados! Os cânticos de ave dão como entrada A brisa boreal, toda aquela aragem Que nos dá alento e mais coragem P'ra erguer o peito sobre uma cruzada E exclamar, bem alto: "Quero eu o sopro da viragem! Quero eu navegar contra tudo e todos! Não quero capitães que me valham, Nem marinheiros que me desconheçam! Navegar, navegar, justamente navegar!" Onde ia eu? Ah, parece que já me ia perdendo! Ia nos reinados de príncipes encantados! (Que governam Portugal ou Espanha!) E com nostalgia vou recordando O tempo dos réis que iam governando Sem saber palavras simples: pátria, bravura, nação... Palavras que eram simples para que...

Pequena Cherbourg

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Encaro a brisa do Mar como uma memória de águas passadas. Faço-me marinheiro, em tempos, e deambulando pelo Mar Às vezes perco o sentido do que é navegar. E espera-me Cherbourg. Esperam-me amigos e marinheiros, Espera-me famílias de outras famílias que não a que tive, Esperam-me as rotinas monótonas e inertes. Hasteio a bandeira que me levou e atraco no cais o que trouxe... São tudo memórias: as que me prometeram e não vieram, As que me foram dadas de impossíveis e chegaram! Ó Deuses do Mar, Deuses da Terra, Deuses do longínquo infinito! Ó brisas insontes, Ó convés perdido, Ó navegação, Bebam do cálice a chuva desta tempestade! Não é possível! Não é possível! É impossível ter nascido, E ter vivido na aldeia humilde, para mais tarde eu morrer Sozinho, nesta ilha e neste inferno de haver ilha! Sejam caladas estas brisas infernais da maresia! Dão insónias, estonteiam sem mais poder querer! (Tenho saudades de Cherbourg...) Napoleão t...

Fugir de tudo

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Um bater de asas e fugir para o céu azul... Estando alguém com uma áurea esperando Para que as asas batam e fujam, nunca errando, E de longe o norte e sul... É ir ao fundo do mar e afundar As mágoas inertes que não movem, Apenas sentem e sempre comovem O que no fundo é amar... Mas é fugir a lei dos que não fogem. Suspensos sobre as terras enfáticas, Perdidos sobre os desertos que escondem As brisas doridas e cismáticas... E abro o cofre da minha vida para alguém, E estou suspenso num obscuro universo, E perco-me nas estrelas moribundas! Fugindo bato asas, fugindo desço ao fundo, Fugindo encontrarei a felicidade do meu mundo E de mais ninguém! E o cofre é complexo e repleto de almas erradas, E o cofre é maior do que os homens e do que o verso!... (É meu, só meu, e de mais ninguém!...) Álvaro Machado - 17:33 - 25-11-2012

Voa gentilmente

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Voarmos sempre foi possível Ainda que desconhecido. Voar até ao céu esquecido E fazer desse voo algo inesquecível Sempre será possível ao corpo voar Ainda que as pessoas digam que não... Por isso, voa por esse mundo para olhar O que aqui em baixo nunca te dirão... Foi sempre escrito nas paredes Coisas mais belas do que somos E, para sempre, seremos nelas Aquilo que afinal não fomos... Lá em cima as brisas esfriam E somente nos resta respirar Aquele dócil ar Dos que, como tu, voam... Sobrevoar montanhas, oceanos e algo do género! Sentir o cheiro a liberdade pairar! E ver cá em baixo coisas estoirar Como se voar fosse efémero! Álvaro Machado - 17:19 - 26-10-2012